Dilma Damasceno's profileVIVENDO E APRENDEN...PhotosBlogListsMore ![]() | Help |
|
VIVENDO E APRENDENDOPROSA e POESIA - Cordel/Folclore/Arte/Humor/Informação/Auto-Ajuda/Natureza! A MEDICINA POPULAR, UMA MARAVILHA DA NATUREZA!OS FLUIDOS DA NATUREZA...
Os fenômenos, os frutos, e os encantos da natureza, são imensuráveis e indescritíveis! Vivendo e Aprendendo, vou me reciclando, sempre agradecendo a Deus, pelos conhecimentos que adquiro... Como amante da “Literatura de Cordel”, estou sempre pesquisando. Não me canso de declarar minha predileção pela tradicional e deliciosa, “cantiga de viola”!... Gosto de absorver a linguagem do repentista, de ler sobre folklore, “usos e costumes”, tradições, ditados populares... etc., etc., etc... São coisas assim, com sabor sertanejo e campesino, que despertam fortes emoções nesta humilde “Aprendiz de Poesia”... Nordestina, Potiguar, Mestiça, e, sentimentalmente, “Índia”! Não posso calar que em se tratando de assuntos relacionados com a natureza, sou toda: “olhos”, “ouvidos”, “alma”, e “coração”! No dia 24/03/07, tive o prazer de conhecer um autêntico estudioso da “medicina popular”, o Sr. Laércio Severiano da Silva, que doravante, tomo a liberdade de tratá-lo, por “Seu Laércio”... Seu Laércio, é extremamente simpático, espontâneo, e carismático. Em pouco tempo de conversa, deliciada com a simplicidade e conhecimentos que Ele transmite, não me contive, e falei: Seu Laércio, o senhor, é uma simpatia!... Ele, rapidamente, respondeu: a recíproca, é verdadeira! Em seguida, me repassou alguns panfletos, contendo informações sobre: AS PLANTAS MEDICINAIS NA CURA DE PREVENÇÃO E DOENÇAS Melhor qualidade de Vida e Saúde!
Com desembaraço e entusiasmo, Seu Laércio falou sobre seus produtos artesanais, que divulga da seguinte forma: "GARRAFADA DE INSULINA VEGETAL, PATA DE VACA E BERINJELA Indicação: Colesterol, “Triglicerídeos”, Diabetes, e, para emagrecer Contra Indicações: Mulheres grávidas e crianças menores de 18 anos; Modo de Usar: Adulto: 1 cálice 2 vezes ao dia. Validade: 1 Ano.
GARRAFADA DE URTIGA, CHANANA E IPÊ Indicação: Problemas de Útero, Ovário, Mioma, Anti-câncer e Próstata. Contra Indicações: Mulheres grávidas e crianças menores de 18 anos. Modo de Usar: Validade: 1 Ano.
PREVENTIVO CONTRA O CÂNCER Ficou comprovado em pesquisas de laboratório na USP em São Paulo que um princípio ativo do ipê (Lapachol) cura e previne vários tipos de Câncer”. Em seguida, Seu Laércio, com humildade e entusiasmo, falou de outras pesquisas bem interessantes:
“XAROPES ARTESANAIS e SABONETES ARTESANAIS, apresentando panfletos, com as seguintes informações:
XAROPE ARTESANAL SETE ERVAS destinado a combater gripe, tosse, bronquite, asma e expectoração; e, SABONETES ARTESANAIS IPÊ E AROEIRA Sabonete Antiinflamatório Indicação: dermatites, acnes, alergias e feridas de pele, processos bolhosos, afecções da genitália masc/femin.”
Durante a nossa agradável conversa, Seu Laércio declarou que já produz garrafadas há mais de 20 (vinte) anos, e que é considerado um artesão auto-didata, com treinamento na Universidade e EMATER de Pernambuco, e matérias publicadas em TVs e Jornais do Rio Grande do Norte. A última declaração que fez, surpreendeu e alegrou quem se encontrava no local do bate-papo... Seu Láercio informou que nos próximos dias, estará disponibilizando aos interessados, uma nova garrafada, própria para retardar o envelhecimento e aumentar a capacidade energética... E resolveu adiantar que a sua nova descoberta tem duas importantes virtudes, que o levam a divulgá-la, como: “felicidade dos homens e alegria das mulheres”! Quem quiser conferir as informações aqui transcritas, pode procurar Seu Laércio, na Feirinha do Campus Universitário, bem pertinho da BR-101, nas imediações do Bairro Mirassol – Natal/RN, aos Sábados, no horário da manhã, até às 10:00 horas, pois Ele lá se encontra, semanalmente, falando sobre suas pesquisas e produtos artesanais, distribuindo seus panfletos, e demonstrando conhecimentos admiráveis!
É pois, com admiração e prazer, que trago ao “Vivendo-e-Aprendendo”, informações sobre esse perseverante e dedicado pesquisador de plantas medicinais! E como sou extremamente apaixonada pelas maravilhas da natureza, confesso que adorei conhecer o Sr. LAÉRCIO SEVERIANO DA SILVA, e também, suas garrafadas e xaropes naturais! (Dilma Damasceno) NO TEMPO DO CANGAÇO...
LAMPIÃO (Virgulino Ferreira da Silva)
Conhecido como o rei do cangaço e o governador do sertão, Virgulino Ferreira da Silva nasceu no dia 7 de julho de 1897, na Fazenda Ingazeira, situada no município de Vila Bela (hoje, Serra Talhada), no sertão de Pernambuco. Foi o segundo filho de José Ferreira da Silva e de Maria Selena da Purificação. O seu nascimento, porém, só é registrado no dia 7 de agosto de 1900. Tinha como irmãos: Antônio, João, Levino, Ezequiel, Angélica, Virtuosa, Maria e Amália. Todos cresceram ouvindo e/ou presenciando estórias de cangaceiros, e Antônio Silvino lhes serve de exemplo maior. Naquela época, o sertão quase não possuía escolas e estradas, viajava-se a pé, a cavalo, em burro e em jumento. Os denominados coronéis (os proprietários de terras) imperavam sob o peso da prepotência como os verdadeiros chefes políticos, sem nunca sofrer represálias porque a força do Estado estava sempre do seu lado. Neste sentido, eram eles que davam a palavra final, ou seja, elegiam, destituíam, perseguiam, condenavam, absolviam, torturavam e matavam. Em períodos de crises econômicas, os coronéis recebiam ajuda do Poder Público. Isto era uma recompensa, um benefício recebido, por causa dos eleitores que controlavam mediante os "votos de cabresto" - aqueles votos fornecidos a um candidato, e garantidos pela palavra-de-ordem dos poderosos, que impõem nomeações e asseguram a hegemonia da classe política local, sem se importar com a competência profissional dos nomeados. Apesar de muito inteligente, Virgulino abandona a escola para ajudar a família no plantio da roça e na criação de gado. Torna-se famoso nas vaquejadas. Gosta muito de dançar, de tocar sanfona, compõe versos e adora um rifle. Sabe costurar muito bem em pano e couro e confecciona as próprias roupas. Ele tinha 19 anos quando entrou para o cangaço. Dizem que tudo começou através de disputas com José Saturnino, membro da família Nogueira e vizinha de terras. Lutando contra essa família durante muitos anos, Virgulino e seus irmãos já se comportavam como futuros cangaceiros, não tardando a entrar em conflito com a polícia. A decisão de viver e morrer como bandido, contudo, só foi tomada, mesmo, quando a polícia mata José Ferreira da Silva - o patriarca da família - enquanto ele debulhava milho. Em um das primeiras lutas do bando, na escuridão da noite, Antônio (um dos irmãos Ferreira), espantado com o poder de fogo do rifle de Virgulino, que expelia balas sem parar e mais parecia uma tocha acesa, gritou o seguinte: Espia, Levino! O rifle de Virgulino virou um lampião! A partir desse dia, a alcunha do famoso cangaceiro passa a ser Lampião. Virgulino consegue realizar seu maior sonho, com a intermediação do Padre Cícero Romão Batista: adquirir a patente de capitão, no Batalhão Patriótico do deputado Floro Bartholomeu, o batalhão das forças legais. Além de alimentar sua vaidade pessoal, a patente funcionaria como uma espécie de salvo-conduto, permitindo o bando circular pelas divisas dos estados do Nordeste. Aproveitando aquela oportunidade, Virgulino solicita, também, para os companheiros Antônio Ferreira e Sabino Barbosa de Melo, os postos de 1o. e 2o. tenentes. Acatada a solicitação, os membros do bando abandonam as roupas costumeiras, vestem a farda de soldado e, como autoridades constituídas, passam a ter o dever - por mais irônico que isto possa soar -, de defender a legalidade e proteger a população nordestina. Tudo isso foi redigido pelo Padre Cícero e assinado, a pedido deste, no dia 12 de abril de 1926, pelo engenheiro-agrônomo do Ministério da Agricultura, Dr. Pedro de Albuquerque Uchoa. Feliz da vida aos 28 anos de idade, o jovem Capitão Virgulino reúne a família para tirar fotografias. Oficialmente, ele recebe a missão de combater a Coluna Prestes - um grupo de comunistas liderados por Luís Carlos Prestes -, grupo que vinha percorrendo o país durante o governo do presidente Artur Bernardes. No entanto, após se distanciar uns 6 quilômetros de Juazeiro, Lampião decide se embrenhar na caatinga, em busca de combates mais lucrativos, deixando para trás o prometido a Padre Cícero e as responsabilidades para com o Estado. E os soldados do governo foram chamados de "macacos", porque saíam pulando quando avistavam os cangaceiros. No bando de Lampião tinha indivíduos de todos os tipos: gordos, magros, ruivos, louros, morenos, altos, baixos, negros e caboclos. Alguns, inclusive, eram jovens demais: Volta Seca (11 anos), Criança (15 anos), Oliveira (16 anos). O mais idoso era Pai Velho, com 71 anos de idade. Lampião arranjava, facilmente, armamentos e munições, mas, como o fazia, era um segredo que não contava a ninguém. Uma parte das armas automáticas, para combater a Coluna Prestes, foi adquirida através do Deputado Floro Bartholomeu e do Padre Cícero. Os demais armamentos do bando foram arranjados mediante a intervenção de amigos. Um acidente provocado pela ponta de um pau cega o olho direito do Capitão Virgulino, um órgão que, anteriormente, já se apresentava problemático devido à presença de um glaucoma. Enxergando com um olho, apenas, Lampião se vê obrigado a ficar sempre enxugando, com um lenço, as lágrimas que pingam do olho vazado. A despeito dessa deficiência, ele nunca deixou de ser um excelente estrategista. Dizem que foi uma brincadeira de mau gosto da família Ferreira (o corte da cauda de alguns animais) a gota d’água que desencadeou uma afronta irreparável com o fazendeiro José Saturnino, proprietário das terras vizinhas e membro da família Nogueira. Sendo mais numerosos e tendo o apoio do governo, essa família termina por expulsar os Ferreira de suas terras. A partir de 1917, Virgulino e a sua família passam a conviver com intensos tiroteios e emboscadas, não podendo morar em um lugar específico: são obrigados a vagar pelo sertão e levar uma vida de nômades. Em meio às lutas e fugas, falece Dona Maria Selena, no Engenho Velho. E, no início de agosto de 1920, o patriarca da família - José Ferreira - é fuzilado pela volante do sargento José Lucena, enquanto debulhava milho. Naquele mesmo dia, então, os Ferreira fazem um juramento: o seu luto, até a morte, iria ser o rifle, a cartucheira e os tiroteios. Quando sabia da existência de um coronel perverso, Lampião não perdia a oportunidade de queimar-lhe as fazendas e matar-lhe o gado. Nas incursões em vilas e povoados, o grupo saqueava, dizimava e matava. As violências cometidas pelo bando eram inúmeras: tatuagem a fogo, corte de orelha ou de língua, castração, estupro, morte lenta, entre outras. Muitos habitantes abandonavam definitivamente as suas propriedades, tornando desertas as caatingas, já que elas estavam entregues a soldados e cangaceiros. Virgulino Ferreira era bastante impulsivo. Às vezes, passavam-se meses sem se ouvir falar nele, pensando-se, inclusive, que tinha morrido. Mas, de repente, ele surgia do nada com o seu bando, como um tremendo furacão, lutando contra as volantes, incendiando fazendas, roubando e matando com a maior naturalidade. Em algumas ocasiões, seus gestos eram generosos: confraternizava com as pessoas, organizava festas, distribuía dinheiro, pagava bebida para todos. Em uma de suas paradas para descansar, perto da Cachoeira de Paulo Afonso, conheceu Maria Déia, filha de um fazendeiro de Jeremoabo, na Bahia. Há cinco anos ela era casada José de Nenén - um comerciante da região - mas nutria uma paixão platônica por Lampião, mesmo sem nunca tê-lo encontrado. Alguns afirmam que foi a própria mãe de Maria Déia que segredou a Lampião sobre essa paixão. Já outros dizem que foi Luís Pedro - integrante do bando - que insistiu para o rei do cangaço conhecê-la. Na realidade, o fato é que Virgulino caiu de amores ao vê-la. E, impressionado com a sua beleza, passou a chamá-la de Maria Bonita. Em vez de três dias, ficou dez na Fazenda Malhada da Caiçara. Com a concordância dos pais, que apoiavam o desejo da filha, Maria Déia coloca as suas roupas em dois bornais, penteia os cabelos, despede-se para sempre do marido, e parte com Lampião rumo à caatinga. Era o ano 1931 e ela tinha 23 anos. Pouco tempo depois, Maria Bonita engravida e sofre um aborto. Mas, em 1932, o casal de cangaceiros tem uma filha. Chamam-na de Expedita. Maria Bonita dá à luz no meio da caatinga, à sombra de um umbuzeiro, em Porto de Folha, no estado de Sergipe. Lampião foi o seu próprio parteiro. Como se tratava de um período de intensas perseguições e confrontos, e a vida era bastante incerta, os pais não tinham condições de criá-la dentro do cangaço. Os fatos que ocorreram viraram um assunto polêmico porque uns diziam que Expedita tinha sido entregue ao tio João, irmão de Lampião que nunca fez parte do cangaço; e outros testemunharam que a criança foi deixada na casa do vaqueiro Manuel Severo, na Fazenda Jaçoba. O Capitão Virgulino adora ser fotografado e filmado. Neste sentido, consente que Benjamim Abraão, um fotógrafo libanês, conviva durante meses com o seu bando e colete muito material sobre o cangaço. Esse fotógrafo, contudo, é assassinado por um coronel, e grande parte do seu acervo é destruída. Maria Bonita sempre insistia muito para que Lampião cuidasse do olho vazado. Diante dessa insistência, ele se dirige a um hospital na cidade de Laranjeiras, em Sergipe, dizendo ser um fazendeiro pernambucano. Virgulino tem o olho extraído pelo Dr. Bragança - um conhecido oftalmologista de todo o sertão - e passa um mês internado para se recuperar. Após pagar todas as despesas da internação, ele sai do hospital, escondido, durante a madrugada, não sem antes deixar escrito, à carvão, na parede do quarto: Doutor, o senhor não operou fazendeiro nenhum. O olho que o senhor arrancou foi o do Capitão Virgulino Ferreira da Silva, Lampião. Além das emboscadas planejadas para liquidá-lo, cabe ressaltar que Lampião conseguiu sobreviver ao veneno e ao fogo. Do primeiro, contou com a dosagem fraca que lhe deu, somente, um inconveniente desarranjo intestinal; do segundo, apesar de chamuscado, conseguiu escapar pulando. Mas foi ferido à bala diversas vezes. Excetuando-se João, todos os irmãos de Virgulino morreram antes dele. Em 1926, Antônio foi morto em Serra Talhada, no encontro com uma volante pernambucana. Uma outra volante desse mesmo estado matou Levino Ferreira. O último a falecer foi Ezequiel, gravemente ferido pela polícia de Sergipe. Mas, quando Lampião percebeu que seu irmão estava se ultimando e sofrendo, saca do próprio revólver e dispara um tiro de misericórdia bem em cima de sua testa. Em uma outra luta contra a volante pernambucana, na vila de Serrinha, próximo a Garanhuns, Maria Bonita foi baleada. Como estava perdendo muito sangue, Lampião deu ordem para encerrar a luta imediatamente: pega a amada nos braços e segue rumo ao município de Buíque, onde ela é tratada na vila de Guaribas. Vale deixar registrado que o bando de Lampião resistiu durante quase 20 anos, brigando com grupos de civis que o perseguiam e com a polícia de 7 estados nordestinos. Por todo esse tempo, assaltou propriedades de grandes fazendeiros, atacou povoados, vilas e cidades, roubou, pilhou, torturou e matou os seus adversários. Apesar de ter sido baleado nove vezes, Lampião sobreviveu a todos os ferimentos, sem contar com qualquer tipo de assistência médica formal. Naquela época, desconheciam-se os antibióticos e as sulfas. Para estancar o sangue e curar os ferimentos, por exemplo, usavam-se mofo, pó de café e, até, excrementos de gado. Eram usadas, ainda, ervas medicinais e rezas dos curandeiros, que nem sempre funcionavam como se esperava. Um ferimento em seu pé, neste sentido, condenou Virgulino a mancar para o resto da vida. Extremamente jeitoso, além de dotado de grande capacidade de improvisação, era o Capitão Virgulino que fazia os curativos, encanava pernas e braços quebrados dos feridos e fazia os partos das mulheres dos cangaceiros. Super dotado de inteligência, ele era médico, farmacêutico, dentista, vaqueiro, poeta, estrategista, guerrilheiro, artesão. Desconfiado, só ingeria algo depois que alguém tivesse provado o alimento. Por outro lado, só entregava o dinheiro após ter recebido a mercadoria. Entretanto, não conseguiu se livrar da traição dos falsos amigos. No dia 28 de abril de 1938, conforme o costume de anos a fio, o bando acampou na fazenda Angicos, situada no sertão de Sergipe, esconderijo tido por Lampião como o de maior segurança. Era noite, chovia muito e todos dormiam em suas barracas. A volante chegou tão de mansinho que nem os cães pressentiram. Quando um cangaceiro deu o alarme, já era tarde demais. Não se sabe ao certo quem os traiu. Entretanto, naquele lugar mais seguro, segundo a opinião de Virgulino, o bando foi pego totalmente desprevenido. Quando os policiais do Tenente João Bezerra e do Sargento Aniceto Rodrigues da Silva, abriram fogo com metralhadoras portáteis, os cangaceiros não puderam empreender qualquer tentativa viável de defesa. O ataque durou uns vinte minutos e poucos conseguiram escapar ao cerco e à morte. Dos 34 cangaceiros presentes, 11 morreram ali mesmo. Lampião foi um dos primeiros a morrer. Logo em seguida, Maria Bonita foi gravemente ferida. Alguns cangaceiros, transtornados pela morte inesperada do seu líder, conseguiram escapar. Bastante eufóricos com a vitória, os policiais saquearam e mutilaram os mortos. Roubaram todo o dinheiro, o ouro, e as jóias. A força volante, de maneira bastante desumana, decepa a cabeça de Lampião. Maria Bonita ainda estava viva, apesar de bastante ferida, quando sua cabeça foi degolada. O mesmo ocorreu com Quinta-Feira e Mergulhão: tiveram suas cabeças arrancadas em vida. Feito isso, salgaram os seus troféus de vitória e colocaram em latas de querosene, contendo aguardente e cal. Os corpos mutilados e ensangüentados foram deixados a céu aberto para servirem de alimento aos urubus. Guardadas as devidas proporções, após ter passado, praticamente, cento e cinqüenta anos da Revolução Francesa, os brasileiros retrocederam ao século XVIII, decepando cabeças como fizeram com Luís XVI e Maria Antonieta. Percorrendo os estados nordestinos, o coronel João Bezerra exibia as cabeças - já em adiantado estado de decomposição - por onde passava, atraindo uma multidão de pessoas. Primeiro, os troféus estiveram em Maceió e, depois, foram ao sul do Brasil. No Instituto de Medicina Legal de Maceió, as cabeças foram medidas, pesadas, examinadas, pois os criminalistas achavam que um homem bom não viraria um cangaceiro: este deveria ter características sui generis. Ao contrário do que pensavam alguns, as cabeças não apresentaram qualquer sinal de degenerescência física, anomalias ou displasias, tendo sido classificados, pura e simplesmente, como normais. Do sul do país, apesar de se encontrarem em péssimo estado de conservação, as cabeças seguiram para Salvador, onde permaneceram por seis anos na Faculdade de Odontologia da Universidade Federal da Bahia. Lá, tornaram a ser medidas, pesadas e estudadas, na tentativa de se descobrir alguma patologia. Posteriormente, os restos mortais ficaram expostos no Museu Nina Rodrigues, em Salvador, por mais de três décadas. Durante muito tempo, as famílias de Lampião, Corisco e Maria Bonita lutaram para dar um enterro digno aos seus parentes. O economista Silvio Bulhões, em especial, filho de Corisco e Dadá, empreendeu muitos esforços para dar um sepultamento aos restos mortais dos cangaceiros e parar, de vez por todas, essa macabra exibição pública. Segundo o depoimento do economista, dez dias após o enterro do seu pai violaram a sepultura, exumaram o corpo e, em seguida, cortaram-lhe a cabeça e o braço esquerdo, colocando-os em exposição no Museu Nina Rodrigues. O enterro dos restos mortais dos cangaceiros só ocorreu depois do projeto de lei no. 2867, de 24 de maio de 1965. Tal projeto teve origem nos meios universitários de Brasília (em particular, nas conferências do poeta Euclides Formiga), e as pressões do povo brasileiro e do clero o reforçaram. As cabeças de Lampião e Maria Bonita foram sepultadas no dia 6 de fevereiro de 1969. Os demais integrantes do bando tiveram seu enterro uma semana depois. Virgulino morreu aos 41 anos de idade. No entanto, contabilizando-se os riscos enfrentados durante 20 anos de cangaço, a alimentação incerta, as emboscadas, os ferimentos, a falta de assistência médica, entre outros, pode-se afirmar que o rei do cangaço viveu mesmo muito tempo. Vale registrar, por outro lado, que Lampião e Maria Bonita possuem parentes próximos em Aracaju: sua filha, Expedita, casou com Manuel Messias Neto e teve quatro filhos (Djair, Gleuse, Isa e Cristina). Por fim, a grande inteligência de Virgulino Ferreira da Silva, bem como o seu valor como estrategista valem a pena ser ressaltados. Mais de sessenta anos após sua morte, ele continua sendo lembrado na música, na moda, na literatura de cordel, no teatro, no cinema, em escolas, em museus, em conferências e debates. O temido cangaceiro, indubitavelmente, o mais importante e carismático de todos, deixou gravado nas caatingas sertanejas um pedaço da história do Nordeste do Brasil. (Semira Adler Vainsencher) - Pesquisadora do Instituto de Pesquisas Sociais da Fundação Joaquim Nabuco -Texto extraído da INTERNET O NEGRINHO DO PASTOREIO
Contam que um belo menino escravo, costumava violar as ordens do capataz da fazenda onde vivia, cavalgando às escondidas nos cavalos de propriedade do amo e senhor da casa. Um belo dia, numa dessas escapadas, o capataz descobre a fuga, persegue e consegue agarrar o menino. Como castigo mortal, aplicam muitas chicotadas, amarrando e deixando o pobre garotinho ali ensangüentado, jogado em cima de um formigueiro. Depois de sua morte dolorosa, coisas estranhas começaram a ocorrer na fazenda. Tudo o que era dado por perdido, bastava formular um pedido ao Negrinho do Pastoreio para de imediato ser encontrado. Bastava dizer: "Belo Negrinho! Todos afirmavam ver nas noites de lua cheia, o negrinho montado no cavalo do amo e senhor da fazenda, galopando pela pradaria durante toda a noite. Tanto o amo e senhor da fazenda como o capataz, saíam cada noite à caça do menino morto. O relinchar e o galope frenético do cavalo era ouvido sempre ao longe... E de tanto perseguirem o ente mágico pelas pradarias, o Negrinho do Pastoreio acabou virando uma lenda. (Uma adaptação de ISABEL AGUIRRE) APRENDENDO COM O FOLCLORE...JECA TATU – A RESSURREIÇÃO I Jeca Tatu era um pobre caboclo que morava no mato, numa casinha de sapé. Vivia na maior pobreza, em companhia da mulher, muito magra e feia e de vários fichinhas pálidos e tristes. Jeca Tatu passava os dias de cócoras, pitando enormes cigarrões de palha, sem ânimo de fazer coisa nenhuma. Ia ao mato caçar, tirar palmitos, cortar cachos de brejaúva, mas não tinha idéia de plantar um pé de couve atrás da casa. Perto um ribeirão, onde ele pescava de vez em quando uns lambaris e um ou outro bagre. E assim ia vivendo. Dava pena ver a miséria do casebre. Nem móveis nem roupas, nem nada que significasse comodidade. Um banquinho de três pernas, umas peneiras furadas, a espingardinha de carregar pela boca, muito ordinária, e só. Todos que passavam por ali murmuravam: - Que grandíssimo preguiçoso! II Jeca Tatu era tão fraco que quando ia lenhar vinha com um feixinho que parecia brincadeira. E vinha arcado, como se estivesse carregando um enorme peso. - Por que não traz de uma vez um feixe grande? Perguntaram-lhe um dia. Jeca Tatu coçou a barbicha rala e respondeu: - Não paga a pena. Tudo para ele não pagava a pena. Não pagava a pena consertar a casa, nem fazer uma horta, nem plantar arvores de fruta, nem remendar a roupa. Só pagava a pena beber pinga. - Por que você bebe, Jeca? Diziam-lhe. - Bebo para esquecer. - Esquecer o quê? - Esquecer as desgraças da vida. E os passantes murmuravam: - Além de vadio, bêbado... III Jeca possuía muitos alqueires de terra, mas não sabia aproveitá-la. Plantava todos os anos uma rocinha de milho, outra de feijão, uns pés de abóbora e mais nada. Criava em redor da casa um ou outro porquinho e meia dúzia de galinhas. Mas o porco e as aves que cavassem a vida, porque Jeca não lhes dava o que comer. Por esse motivo o porquinho nunca engordava, e as galinhas punham poucos ovos. Jeca possuía ainda um cachorro, o Brinquinho, magro e sarnento, mas bom companheiro e leal amigo. Brinquinho vivia cheio de bernes no lombo e muito sofria com isso. Pois apesar dos ganidos do cachorro, Jeca não se lembrava de lhe tirar os bernes. Por que? Desânimo, preguiça... As pessoas que viam aquilo franziam o nariz. Que criatura imprestável! Não serve nem para tirar berne de cachorro... IV Jeca só queria beber pinga e espichar-se ao sol no terreiro. Ali ficava horas, com o cachorrinho rente; cochilando. A vida que rodasse, o mato que crescesse na roça, a casa que caísse. Jeca não queria saber de nada. Trabalhar não era com ele. Perto morava um italiano já bastante arranjado, mas que ainda assim trabalhava o dia inteiro. Por que Jeca não fazia o mesmo? Quando lhe perguntavam isso, ele dizia: - Não paga a pena plantar. A formiga come tudo. - Mas como é que o seu vizinho italiano não tem formiga no sítio? - É que ele mata. - E porque você não faz o mesmo? Jeca coçava a cabeça, cuspia por entre os dentes e vinha sempre com a mesma história: - Quá! Não paga a pena... - Além de preguiçoso, bêbado; e além de bêbado, idiota, era o que todos diziam. V Um dia um doutor portou lá por causa da chuva e espantou-se de tanta miséria. Vendo o caboclo tão amarelo e chucro, resolveu examiná-lo. - Amigo Jeca, o que você tem é doença. - Pode ser. Sinto uma canseira sem fim, e dor de cabeça, e uma pontada aqui no peito que responde na cacunda. - Isso mesmo. Você sofre de anquilostomiase. - Anqui... o quê? - Sofre de amarelão, entende? Uma doença que muitos confundem com a maleita. - Essa tal maleita não é a sezão? - Isso mesmo. Maleita, sezão, febre palustre ou febre intermitente: tudo é a mesma coisa, está entendendo? A sezão também produz anemia, moleza e esse desânimo do amarelão; mas é diferente. Conhece-se a maleita pelo arrepio, ou calafrio que dá, pois é uma febre que vem sempre em horas certas e com muito suor. O que você tem é outra coisa. É amarelão. VI O doutor receitou-se o remédio adequado; depois disse: "E trate de comprar um par de botinas e nunca mais me ande descalço nem beba pinga, ouviu?" - Ouvi, sim, senhor! - Pois é isso, rematou o doutor, tomando o chapéu. A chuva passou e vou-me embora. Faça o que mandei, que ficará forte, rijo e rico como o italiano. Na semana que vem estarei de volta. - Até por lá, sêo doutor! Jeca ficou cismando. Não acreditava muito nas palavras da ciência, mas por fim resolveu comprar os remédios, e também um par de botinas ringideiras. Nos primeiros dias foi um horror. Ele andava pisando em ovos. Mas acostumou-se, afinal... VII Quando o doutor reapareceu, Jeca estava bem melhor, graças ao remédio tomado. O doutor mostrou-lhe com uma lente o que tinha saído das suas tripas. - Veja, sêo Jeca, que bicharia tremenda estava se criando na sua barriga! São os tais anquilostomos, uns bichinhos dos lugares úmidos, que entram pelos pés, vão varando pela carne adentro até alcançarem os intestinos. Chegando lá, grudam-se nas tripas e escangalham com o freguês. Tomando este remédio você bota p'ra fora todos os anquilostomos que tem no corpo. E andando sempre calçado, não deixa que entrem os que estão na terra. Assim fica livre da doença pelo resto da vida. Jeca abriu a boca, maravilhado. - Os anjos digam amém, sêo doutor! VIII Mas Jeca não podia acreditar numa coisa: que os bichinhos entrassem pelo pé. Ele era "positivo" e dos tais que "só vendo". O doutor resolveu abrir-lhe os olhos. Levou-o a um lugar úmido, atrás da casa, e disse: - Tire a botina e ande um pouco por aí. Jeca obedeceu. - Agora venha cá. Sente-se. Bote o pé em cima do joelho. Assim. Agora examine a pela com esta lente. Jeca tomou a lente, olhou e percebeu vários vermes pequeninos que já estavam penetrando na sua pele, através dos poros. O pobre homem arregalou os olhos assombrado. - E não é que é mesmo? Quem "havera" de dizer!... - Pois é isso, sêo Jeca, e daqui por diante não duvide mais do que a ciência disser. - Nunca mais! Daqui por diante nha ciência está dizendo e Jeca está jurando em cima! T'esconjuro! E pinga, então, nem p'ra remédio... IX Tudo o que o doutor disse aconteceu direitinho! Três meses depois ninguém mais conhecia o Jeca. A preguiça desapareceu. Quando ele agarrava no machado, as arvores tremiam de pavor. Era pan, pan, pan... horas seguidas, e os maiores paus não tinham remédio senão cair. Jeca, cheio de coragem, botou abaixo um capoeirão para fazer uma roça de três alqueires. E plantou eucaliptos nas terras que não se prestavam para cultura. E consertou todos os buracos da casa. E fez um chiqueiro para os porcos. E um galinheiro para as aves. O homem não parava, vivia a trabalhar com fúria que espantou até o seu vizinho italiano. - Descanse um pouco, homem! Assim você arrebenta... diziam os passantes. - Quero ganhar o tempo perdido, respondia ele sem largar do machado. Quero tirar a prosa do "intaliano". X Jeca, que era um medroso, virou valente. Não tinha mais medo de nada, nem de onça! Uma vez, ao entrar no mato, ouviu um miado estranho. - Onça! Exclamou ele. É onça e eu aqui sem nem uma faca!... Mas não perdeu a coragem. Esperou a onça, de pé firme. Quando a fera o atacou, ele ferrou-se tamanho murro na cara, que a bicha rolou no chão, tonta. Jeca avançou de novo, agarrou-a pelo pescoço e estrangulou-a - Conheceu, papuda? Você pensa então que está lidando com algum pinguço opilado? Fique sabendo que tomei remédio do bom e uso botina ringideira... A companheira da onça, ao ouvir tais palavras, não quis saber de histórias - azulou! Dizem que até hoje está correndo... XI Ele, que antigamente só trazia três pausinhos, carregava agora cada feixe de lenha que metia medo. E carregava-os sorrindo, como se o enorme peso não passasse de brincadeira. - Amigo Jeca, você arrebenta! Diziam-lhe. Onde se viu carregar tanto pau de uma vez? - Já não sou aquele de dantes! Isto para mim agora é canja, respondia o caboclo sorrindo. - Quando teve de aumentar a casa, foi a mesma coisa. Derrubou no mato grossas perobas, atorou-as, lavrou-as e trouxe no muque para o terreiro as toras todas. Sozinho! - Quero mostrar a esta paulama quanto vale um homem que tomou remédio de Nha Ciência, que usa botina cantadeira e não bebe nem um só martelinho de cachaça. O italiano via aquilo e coçava a cabeça. - Se eu não tropicar direito, este diabo me passa na frente, Per Bacco! XII Dava gosto ver as roças do Jeca. Comprou arados e bois, e não plantava nada sem primeiro afofar a terra. O resultado foi que os milhos vinham lindos e o feijão era uma beleza. O italiano abria a boca, admirado, e confessava nunca Ter visto roças assim. E Jeca já não plantava rocinhas como antigamente. Só queria saber de roças grandes, cada vez maiores, que fizessem inveja no bairro. E se alguém lhe perguntava: - Mas para que tanta roça, homem? Ele respondia: - É que agora quero ficar rico. Não me contento com trabalhar para viver. Quero cultivar todas as minhas terras, e depois formar aqui uma enorme fazenda. E hei de ser até coronel... E ninguém duvidava mais. O italiano dizia: - E forma mesmo! E vira mesmo coronel! Per la Madonna!... XIII Por esse tempo o doutor passou por lá e ficou admiradíssimo da transformação do seu doente. Esperara que ele sarasse, mas não contara com tal mudança. Jeca o recebeu de braços abertos e apresentou-o à mulher e aos filhos. Os meninos cresciam viçosos, e viviam brincando contentes como passarinhos. E toda gente ali andava calçada. O caboclo ficara com tanta fé no calçado, que metera botinas até nos pés dos animais caseiros! Galinhas, patos, porcos, tudo de sapatinho nos pés! O galo, esse andava de bota e espora! - Isso também é demais, sêo Jeca, disse o doutor. Isso é contra a natureza! Bem sei. Mas quero dar um exemplo a esta caipirada bronca. Eles aparecem por aqui, vêem isso e não se esquecem mais da história. XIV Em pouco tempo os resultados foram maravilhosos. A porcada aumentou de tal modo, que vinha gente de longe admirar aquilo. Jeca adquiriu um caminhão Ford, e em vez de conduzir os porcos ao mercado pelo sistema antigo, levava-os de auto, num instantinho, buzinando pela estrada afora, fon-fon! fon-fon!... As estradas eram péssimas; mas ele consertou-as à sua custa. Jeca parecia um doido. Só pensava em melhoramentos, progressos, coisas americanas. Aprendeu logo a ler, encheu a casa de livros e por fim tomou um professor de inglês. - Quero falar a língua dos bifes para ir aos Estados Unidos ver como é lá a coisa. O seu professor dizia: - O Jeca só fala inglês agora. Não diz porco; é pig. Não diz galinha! É hen... Mas de álcool, nada. Antes quer ver o demônio do que um copinho da "branca"... XV Jeca só fumava charutos fabricados especialmente para ele, e só corria as roças montado em cavalos árabes de puro sangue. - Quem o viu e quem o vê! Nem parece o mesmo. Está um "estranja" legítimo, até na fala. Na sua fazenda havia de tudo. Campos de alfafa. Pomares belíssimos com quanta fruta há no mundo. Até criação de bicho da seda; Jeca formou um amoreiral que não tinha fim. Quero que tudo aqui ande na seda, mas seda fabricada em casa. Até os sacos aqui da fazenda têm que ser de seda, para moer os invejosos... E ninguém duvidava de nada. - O homem é mágico, diziam os vizinhos. Quando assenta de fazer uma coisa, faz mesmo, nem que seja um despropósito... XVI A fazenda do Jeca tornou-se famosa no país inteiro. Tudo ali era por meio do rádio e da eletricidade. Jeca, de dentro do seu escritório, tocava num botão e o cocho do chiqueiro se enchia automaticamente de rações muito bem dosadas. Tocava outro botão, e um repuxo de milho atraia todo o galinhame... Suas roças eram ligadas por telefones. Da cadeira de balanço, na varanda, ele dava ordens aos feitores lá longe. Chegou a mandar buscar no Estados Unidos um telescópio. - Quero aqui desta varanda ver tudo que se passa em minha fazenda. E tanto fez, que viu. Jeca instalou os aparelhos e assim pode, da sua varanda, com o charutão na boca, não só falar por meio do rádio para qualquer ponto da fazenda, como ainda ver, por meio do telescópio, o que os camaradas estavam fazendo. XVII Ficou rico e estimado, como era natural; mas não parou aí. Resolveu ensinar o caminho da saúde aos caipiras das redondezas. Para isso montou na fazenda e vilas próximas vários Postos de Maleita, onde tratava os enfermos de sezões; e também Postos de Anquilostomose, onde curava os doentes de amarelão e outras doenças causadas por bichinhos nas tripas. O seu entusiasmo era enorme. "Hei de empregar toda a minha fortuna nesta obra de saúde geral, dizia ele. O meu patriotismo é este. Minha divisa: Curar gente. Abaixo a bicharia que devora o brasileiro..." E a curar gente da roça passou Jeca toda a sua vida. Quando morreu, aos 89 anos, não teve estátua, nem grandes elogios nos jornais. Mas ninguém ainda morreu de consciência tranqüila. Havia cumprido o seu dever até o fim. XVIII Meninos: nunca se esqueçam desta história; e, quando crescerem, tratem de imitar o Jeca. Se forem fazendeiros, procurem curar os camaradas da fazenda. Além de ser para eles um grande benefício, é para você um alto negócio. Você verá o trabalho dessa gente produzir três vezes mais. Um país não vale pelo tamanho, nem pela quantidade de habitantes. Vale pelo trabalho que realiza e pela qualidade da sua gente. Ter saúde é a grande qualidade de um povo. Tudo mais vem daí. Nota da redação: - Este conto foi adotado como peça publicitária do Laboratório Fontoura. Adaptado em história em quadrinhos ou na forma de folheto, ou ainda fazendo parte de almanaques, teve até os anos 60 uma tiragem de cerca de 18 milhões de exemplares. Há testemunhos de que sua leitura transformou a vida de muita gente. Fonte: Bibliografia Lobatiana – Contos Escolhidos - Matéria extraída da INTERNET UM LINDO GALOPE À BEIRA-MAR, HOMENAGEANDO JESUS
JESUS NA BEIRA DO MAR...
Jesus – esperança da voz do perdão Divino cordeiro, poeta e pastor Juiz infalível do Código do Amor Estrela cadente da constelação Nascente perene do ventre do chão Painel que reflete na luz do luar O mundo é pequeno pra te comparar Perpétuo socorro dos desiludidos Farol que ilumina os barcos perdidos Cantando galope na beira do mar.
Jesus – padroeiro do homem de fé Cometa visível do largo horizonte Pedaços de pétalas que descem da fonte Deixando perfume no igarapé Estátua sagrada que tem como sé Um adro, uma igreja, um santo, um altar Piso envergonhado no teu patamar Gemendo, vergado no peso das culpas Orando, chorando, pedindo desculpas Cantando galope na beira do mar.
Jesus - o refúgio de nós pecadores Autor da orquestra do som dos arcanjos Poema evangélico do coro dos anjos Maestro do palco dos bons cantadores Canário que trina no leque das flores Artista das almas, que vive a cantar Lanterna profética do topo do altar Libélula que pousa no dorso da malva O homem é quem peca, Você é quem salva Cantando galope na beira do mar.
Jesus – oceano completo de encantos Angico frondoso coberto de ninhos Preserva a vivenda de seus passarinhos Com sopros de vida por todos recantos Lençol perfumado, consolo dos prantos Da alma penada que vive a chorar Nos teus lindos olhos quem bem reparar Vê duas lanternas nas noites de inverno Criança sorrindo no colo materno Cantando galope na beira do mar.
Jesus – tabernáculo de portas abertas Teus gestos são mansos, teus dias são calmos Profeta que prega o livro dos salmos Nas areias brancas das praias desertas Palavras de mãe no pão das ofertas Que a mãe carinhosa não sabe humilhar Ministro de Deus que vive a rezar Vaqueiro prudente das ovelhas mansas Patrão dos adultos, pastor das crianças Cantando galope na beira do mar.
Jesus – matemático que tira o atraso Escola sublime de todos os mestres Orvalho aromático das rosas silvestres Retrato de nimbus nas cores do ocaso Fiel seresteiro que em todo parnaso As musas pairaram pra lhe escutar Nasceu pra sofrer, morreu pra salvar Varou o deserto, quebrou a algema É chefe do fórum na corte suprema Cantando galope na beira do mar.
Jesus – primogênito, meu Deus e meu tudo Tenor das colinas, garganta sinfônica Toalha de sangue nas mãos de Verônica Guerreiro sem flecha, sem míssil ou escudo Rosário de pérolas, versículo de estudo - profundo que o homem não pode igualar Minha ignorância queira perdoar Angústia das dores do monte calvário Segredo do sangue do Santo Sudário Cantando galope na beira do mar.
Jesus – solução dos grandes fracassos Amigo que chega na dor dos suplícios Nas horas difíceis de mil sacrifícios Feliz da pessoa que segue seus passos Levando-o no peito, na alma e nos braços Rasgando a floresta pra o corpo passar Quem anda contigo é certo chegar No pouso celeste dos aventurados Banhar-se na fonte, tirar os pecados Cantando galope na beira do mar.
Jesus – que perdoa os fracos de ações Estrela da paz, remédio da guerra A única pessoa do céu e da terra Que entende a linguagem de todas Nações Morreu coroado entre dois ladrões Cuspido e zombado da voz popular Tirou na história primeiro lugar Pendeu a cabeça pro lado direito Pra todos os séculos merece respeito Cantando galope na beira do mar.
Jesus Nazareno - filho de Maria Lições infindáveis dos povos essênios Espelho fantástico de todos os gênios Soluços da noite, sorrisos do dia Montanha escalável da teologia Caminho pra alma se renegerar Palavra gostosa de pronunciar Troféu dos humildes, perdão das ofensas Estrada infinita de todas as crenças Cantando galope na beira do mar.
Versos extraídos do Livro MATUTO DO “PÉ RAXADO” Autor: Pedro Bandeira. O ENCANTO DO REPENTE...O SOM MAVIOSO DA VIOLA... Os cantadores saíram dos alpendres das fazendas e se tornaram internacionais. Entre os dias 23 e 30 de novembro de 1994, a dupla cearense Geraldo Amâncio e Pedro Bandeira misturou-se aos cantadores minhotos e açorianos, em Lisboa, numa festa de desgarrada portuguesa e repente nordestino, que atraiu o presidente Mário Soares. O jornal Público, de Lisboa, registrou o evento no seu Caderno Cultural com a seguinte manchete: “De repente, improvisou-se”. Altos elogios aos artistas brasileiros.
O jornal português descreve: Os minhotos Cunha de Vila Verde e Maria Celeste começaram a desancar à desgarrada mais ou menos ao mesmo tempo que, num restaurante da beira-Tejo, dois repentistas (improvisadores do Nordeste) brasileiros davam breves conselhos ao presidente Mário Soares:
“Se for ao Carnaval no Brasil E no sambódromo se sentar, Entre todas as mulheres, Eu queria lhe avisar: Tome cuidado com a artista Que perturbou o Itamar”.
A matéria, assinada por Pedro Rosa Mendes, reproduz outros repentes da dupla nordestina e destaca também o estro dos cantadores portugueses, com esta desgarrada do minhoto Cunha de Vila Verde, que cantou com Maria Celeste. (Os minhotos cantam acompanhando com foles, e os açorianos com violões e guitarras portuguesas):
“Sou filho dum homem esperto, Por isso também dei fino, Com o meu jeito irrequieto As mulheres perdem o tino; Já muitas me têm pedido: Ó Cunha, faz-me um menino”.
Os dois cantadores nordestinos tiveram grande aceitação nessa excursão a Portugal. Cantando numa recepção na casa do embaixador brasileiro José Aparecido, Pedro Bandeira aproveitou a entrega de um quadro por um pintor luso ao embaixador brasileiro, para improvisar a seguinte sextilha:
“Ele não canta o que eu canto, O que ele pinta eu não pinto, Mas Deus, o maior dos Mestres Sabe a emoção que eu sinto Saudando o quadro da Santa No majestoso recinto”.
O quadro presenteado ao embaixador Aparecido era da padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida. Por isso, Geraldo Amâncio tomou emprestada a deixa do parceiro e completou a idéia pelo lado humorado do repente, com mais esta estrofe:
“Cantar pra Santa me sinto Feliz e envaidecido, Trazendo a fé do Brasil Num quadro exposto e medido, Aparecida aparece Na casa de Aparecido”.
Os cantadores cearenses estiveram em todas. Foram convidados para cantar repente numa cerimônia na Câmara Municipal de Lisboa em homenagem ao famoso brasileiro Oscar Niemayer, o construtor de Brasília. Na ocasião, Geraldo Amâncio fez esta sextilha:
“Niemayer não é Deus Mas seu trabalho é fecundo; Eu admiro o primeiro E tenho fé no segundo, Um, construtor de Brasília; Outro, construtor do mundo”.
Cantador é artista engraçado. Voltando ao Ceará, vamos dar um passeio até Mossoró, no Rio Grande do Norte. No início de setembro de 1992, o cantador Luiz Antônio cantava com seu colega Antônio Calixto numa mercearia, quando entra o advogado José Estrela, conhecido de Calixto, que termina uma estrofe assim: “Sobre questão trabalhista/ Ele é muito respeitado”. Luiz Antônio responde:
“Estrela é advogado Que está ganhando bem; Eu, a custa da caneta, Nunca ganhei um vintém, Se ele mudar pra viola Morre de fome também.”
José Cardoso cantava com Rogério Menezes, que fez uma estrofe dizendo: “Por causa de erro médico/ Tancredo Neves morreu”. Cardoso reagiu:
“A morte dele ocorreu Como qualquer morte ocorre, Dimas morreu de um enfarte; Chudu se acabou de um porre; Ronaldo Reagan é tão ruim Que tem um câncer, e não morre.”
Chico Buriti cantava com Antônio Maracajá. Chico, desdentado e vozinha pouca, apesar de bom repentista, perdia para Maracajá nos aplausos das mulheres. Foi aí que Buriti desconfiou e saiu com esta estrofe, aproveitando o nome de Maracajá que é também uma espécie de gato-do-mato, no Ceará:
“Amigo Maracajá, Sua passagem aqui é franca: Todas gatas lhe arrodeiam, Gata preta, gata branca... E o gato velho no meio Ainda botando banca”.
Noutra ocasião, Buriti cantava com Cícero Nascimento, a convite de Dadá Torres, numa fazendo em Senador Pompeu, Ceará. Dadá era um tipo boêmio, brincalhão. E apesar de ser o anfitrião dos cantadores não botava um tostão na bandeja sobre um banco. Buriti se queixou:
“Gosto muito do Dadá Porque o Dadá me convém; Quando ele não vai pra festa, É que da festa ele vem; O nome dele é Dá-dá, Mas não dá nada a ninguém”.
São assim os cantadores. Bem-humorados e exímios oportunistas na exploração do clima psicológico de suas platéias. O cantador de repente sabe aproveitar os quadros e os tipos que o ambiente lhe proporciona durante a cantoria. Severino Pinto cantava, e um espectador com uma verruga visível no nariz torcia, rasgado, pelo outro cantador. Pinto deixou de lado a briga com o colega e se virou contra o torcedor da verruga com esta maravilha de verso:
“Eu não tenho confiança Em cabra que tem berruga; Cachorro da boca preta, Terreno que pouco enxuga, Comida que doido enjeita E casa que cigano aluga”.
O humor do improviso, em certas horas, chega a ferir os ouvidos de quem gosta de ouvir cantador. É que cantador não é um artista passivo, que apenas sofre, que apenas chora. Ele traz também no nó da garganta o grito de protesto. E na primeira oportunidade, ele lança fora, como fez o poeta Geraldo Amâncio cantando com Ivanildo Vilanova, em Brasília. Vilanova fala sobre o monumento ao candango, e Geraldo Amâncio completa dizendo:
“Tmbém vi o monumento Fincado no meio da praça, Fino que só um palito, Cinzento que só fumaça, Aquilo é representando A fome que o povo passa”.
Esta jóia de habilidade, de malabarismo com versos, que veremos a seguir, é atribuída a Otacílio Batista. Ela estaria cantando com alguém que terminou escorregando no idioma pátrio dizendo mais ou menos assim: “Entra, Otacílio, pra dentro”. Ao que este respondeu, pegando na deixa:
“Mas desse jeito, eu não entro Porque ninguém ignora Que quem manda entrar pra dentro, Vai mandar sair pra fora, Depois diz: suba pra cima Ou: desça pra baixo agora”.
(Texto extraído do Livro “DE REPENTE CANTORIA”, Uma coletânea de versos e repentes dos maiores cantadores do Brasil) - Autores: GERALDO AMÂNCIO & VANDERLEY PEREIRA REFLETINDO SOBRE A ESPIRITUALIDADEOS CUIDADOS DE DEUS
Ao orar, em meus verdes anos, dirigindo-me a Deus, imaginava um idoso senhor, de respeitável barba branca e bondosa expressão, instalado no Céu, a quem me competia reverenciar, garantindo o direito de lhe pedir favores, em freqüentes petitórios.
Semelhante idéia tem prevalecido, desde as culturas mais antigas, exprimindo a arraigada tendência humana de conceber uma divindade à sua imagem e semelhança.
O assunto fica complicado na atualidade, quando mais de cinco bilhões de pessoas vivem na Terra. Se observado pela ótica antropomórfica o Criador estaria literalmente soterrado por montanhas de solicitações, como o mais assoberbado burocrata do Universo.
E se lembrarmos que a Terra é insignificante planeta que gira em torno de pequena estrela, na Via-Láctea, uma galáxia de mais de cem bilhões de estrelas, onde, segundo estimativas, há pelo menos 100.000 planetas com possibilidade de vida inteligente; se considerarmos, ainda, que há bilhões de galáxias, com trilhões de estrelas, onde há, provavelmente, segundo o astrônomo Carl Sagan, idêntica quantidade de planetas (habitados por espíritos encarnados ou desencarnados, conforme a questão nº 55, de “O Livro dos Espíritos”), então torna-se impossível sustentar o deus antropomórfico de nossos ancestrais.
Na medida em que se ampliam as dimensões do Universo, isto é, na medida em que o Homem consegue enxergar mais longe (os grandes radiotelescópios detectam estrelas situadas a 15 bilhões de anos-luz, perto de 141.912.000.000.000.000.000.000 de quilômetros de distância!), somos forçados a superar a acanhadíssima concepção de um soberano instalado num trono celeste, para reconhecer em Deus a consciência cósmica do Universo, o Criador que tudo vê, tudo sabe, tudo pode.
* * *
É fácil provar a existência de Deus, a partir da observação do Universo, um efeito infinitamente mais inteligente do que o poderia conceber a mais sofisticada inteligência humana. Neste aspecto, o ônus da prova de que Deus não existe ficará sempre por conta dos negadores, com a obrigação de explicar o Universo sem o poder criador que o concebeu e sustenta. Podemos imaginar, também, os atributos de Deus, como faz Kardec, em “O Livro dos Espíritos”, ao expor as razões pelas quais necessariamente é eterno, imutável, imaterial, único, onipotente, e soberanamente justo e bom. Quanto ao modus operante de Deus fica difícil avançar, não que nos seja proibido, mas por absoluta incapacidade. Não temos desenvolvimento moral e intelectual suficientes para isso. Jesus, o Espírito mais perfeito que transitou pela Terra, que mais do que ninguém tinha condições para um entendimento perfeito do assunto, limitou-se a ensinar o fundamental: devemos reconhecer em Deus o nosso pai, infinitamente justo e misericordioso, que trabalha incessantemente pela felicidade de seus filhos. Em “O Sermão da Montanha” o Mestre informa o empenho de renovação a que somos convocados para que, muito mais que identificar a presença de Deus, possamos senti-la em plenitude, ao proclamar: “bem aventurados os que têm limpo o coração, porque verão a Deus.”
* * * Não obstante nossas limitações, podemos conjecturar sobre a ação da Providência Divina em nosso benefício, a partir da idéia de que somos perfectíveis, segundo nos ensina a Doutrina Espírita, isto é, somos destinados à perfeição. Criados à imagem e semelhança de Deus, conforme o simbolismo bíblico, o poder criador é a característica fundamental de nossa personalidade. Exercitando-o, temos a liberdade de escolher nossos caminhos, mas somos disciplinados pela perfectibilidade, isto é, pela obrigação de evoluir, sob a tutela de irresistível vocação para o Bem, que igualmente identifica nossa filiação divina. Sempre que nos desviamos, por ignorância ou incúria, há em nós mecanismos retificadores que se manifestam com o concurso da dor, tanto mais severos quanto mais ampla a nossa capacidade de distinguir entre o bem e o mal, entre o que devemos e o que não devemos fazer. Quando, contrariando a vontade de Deus e a nossa própria condição de seus filhos, incorremos na maldade, é como se batêssemos em nós mesmos, gerando desajustes em nosso Espírito, como alguém que se machuca ao agredir uma pessoa. * * * Submetidos a leis divinas que vigem na intimidade de nossa consciência, corrigindo nossos impulsos com o concurso da Dor, seria desejável que pudéssemos conhecê-las, renovando-nos pelo conhecimento para que não sejamos compulsoriamente renovados sob o guante da dor. Deus não nos desampara nesse mister, oferecendo-nos preciosas orientações, na medida em que desenvolvemos a capacidade de compreender os regulamentos celestes. Em todos os tempos, Espíritos com avantajado potencial de conhecimentos e experiências transitam pela Terra, em vivências missionárias, situando-se adiante de seu tempo para ajudar o Homem a avançar mais depressa nos domínios do conhecimento. Nesse aspecto podemos destacar três momentos históricos, com verdades universais progressivamente reveladas: O primeiro foi quando Moisés, no Monte Sinai, recebeu da Espiritualidade Maior a Tábua dos Dez Mandamentos que, em síntese, ensina o que o Homem não deve fazer – não matar, não roubar, não mentir, não cometer adultério, não cobiçar nada do próximo. Fundamentava-se, assim, a justiça humana, com o princípio básico de que nossos direitos terminam onde começam os direitos do semelhante. O segundo momento foi quando Jesus ensinou que não basta evitar o mal. É indispensável praticar o bem, porquanto é com ele que nos realizamos como filhos de Deus, que espera pela bondade humana para que possa edificar seu reino na Terra. O terceiro momento ocorreu com o Espiritismo que, mostrando-nos a vida além das fronteiras da morte, permite-nos observar o majestoso funcionamento das leis divinas, na condução dos destinos humanos, a nos conscientizar de que muito mais do simples virtude, o esforço do bem impõe-se por necessidade imperiosa em favor de nosso progresso. Aplicando-nos no aprendizado desses princípios universais aprendemos que Deus está sempre presente e, em sua bondade, ocupa-se de todos os seus filhos, indistintamente, sem que nada do que façam ou necessitam, seja, a seus olhos, destituído de importância. Mas é no exercício dessa mesma bondade que adquirimos condições para sentir e valorizar os cuidados de Deus. Texto extraído do Livro: UM JEITO DE SER FELIZ, de Richard Simonetti. EM HOMENAGEM ÀS "ROSAS HUMANAS" DO AMIGO CARLOS FERREIRA
O BAILE NA FLOR
Que belas as margens do rio possante, Que ao largo espumante campeia sem par!... Ali, das bromélias, nas flores doiradas Há silfos e fadas, que fazem seu lar...
E, em lindos cardumes, Sutis vaga-lumes acendem os lumes p'ra o baile na flor. E então - nas arcadas das pet'las doiradas, Os grilos em festa começam na orquestra Febris a tocar... e as breves falenas vão leves, Serenas, em bando girando, valsando, voando No ar!...
(Castro Alves) A IMPORTÂNCIA DAS CARÍCIASFOMES
Existe uma tendência nas pessoas no sentido de pensarem que os outros têm somente fome de comida: que o que um indivíduo necessita para ser feliz é somente alimento, roupa e casa. Como essas coisas não são suficientes, o que vemos são muitas pessoas insatisfeitas reclamando: - Meu pai só sabia me dar dinheiro, mas nunca me deu amor... - Meu marido só pensa em coisas materiais... - Eu não sei o que mais ela quer; tem casa, comida e conforto... Realmente, o ser humano tem outras fomes, tão importantes como o alimento. Assim como precisamos de comida e descanso, necessitamos também de outros tipos de nutrientes para nos sentirmos saciados. Lembra-se (e até pode ser que esteja acontecendo agora) de momentos em que você estava confortavelmente instalado em sua casa, depois de um ótimo jantar, e mesmo assim sentia falta de algo? Certamente temos necessidade de algo mais que comida e abrigo. Temos outras fomes a serem saciadas. E o mais importante é que o poder de satisfazê-las está em nós mesmos. Aqui estão algumas dessas fomes: Fome de estímulos O ser humano necessita de sensações físicas, e de variar essas sensações: enfim, de estimular os sentidos (olfato, tato, visão, paladar, audição). Quanto ao sabor: precisa de comida gostosa e variada... (quem agüenta comer salada de palmito todos os dias?) Quanto a cores e formas: de paisagens bonitas, luz, gente bonita... Quanto aos sons: músicas bonitas, do vento, do mar, voz de gente (quanta gente, quando chega em casa, a primeira coisa que faz é ligar o rádio?...) Quanto a cheiros: de flor, de terra depois da chuva, da mulher amada, cheiro de manga madura, de comida quentinha... Quanto a toques: do mar em um dia de verão, do lençol macio, do cobertor quente no inverno, das mãos do ser amado, daquele sapato velho para andar. Ah! Quanta coisa boa para os nossos sentidos... Fome de contato É muito importante os seres humanos estarem em contato com os outros; por exemplo: - Alguém tocando a cabeça do outro, um abraço de irmão, um olhar fraterno. A sensação de pertencer à espécie humana. Muitas vezes as pessoas acabam reprimindo esta fome, e trocando o contato físico por reconhecimento verbal. Fome de conhecimento O ser humano não sobrevive à indiferença. Todos nós necessitamos ser reconhecidos, que as pessoas nos identifiquem, cumprimentem e nos valorizem. Uns necessitam mais, outros menos. Para um artista de televisão, saber que “somente” 1 milhão de pessoas assistiram a seu programa pode ser pouco, enquanto para um cientista saber que 10 pessoas leram seu relatório pode ser algo espetacular. Sem dúvida, a pessoa que nos faz o reconhecimento também é importante. Pois se eu valorizar mais esta pessoa, sua valorização de mim vai ser mais importante ainda. Fome sexual O desejo sexual é também uma fome natural. É natural o desejo e esta vontade de concretizar esse desejo, que se manifesta. Simplesmente... Como um botão tende a formar uma rosa, Como a vontade que se tem de agarrar e ser agarrado... É aquela coisa da paixão, da entrega... É poder viver esse desejo... Assim como comer quando se tem fome... É tanto amor, que se tem o desejo de estar dentro do outro, e ter o outro dentro de si, no mais profundo da entrega. Ter sexo como alimento, sem conflitos, como encontro amoroso, que seja muito mais que uma simples ejaculação. Fome de estruturas As estruturas são pontos de referência e os seres humanos necessitam ter suas referências, ver o mundo de uma maneira estruturada, como por exemplo: a cama de uma certa forma, suas cadeiras, o que vai fazer com o tempo, com sua vida. Já pensou o que seria de nós, se não tivéssemos permanentemente onde dormir, se nossa casa mudasse de endereço todos os dias? Você se lembra da confusão que muitas vezes se dá quando alguém arruma seus livros (a tal bagunça organizada)? As estruturas levam as pessoas a terem suas referências. É comum alguém dizer: eu me sinto ansioso pois não sei o que nós somos; se amigos, amantes ou namorados... E quando as estruturas se alteram, cria-se um jeito de organizar uma nova estrutura. É assim que aparecem as “amizades coloridas”. Fome de incidentes (acontecimentos) Carecemos de que algo aconteça para que não se mergulhe fundo no tédio. Precisamos de acontecimentos que nos tragam surpresas, novidades e excitação. Necessitamos da beleza e do fascínio do inesperado. A rotina, a repetição constante de qualquer coisa, por mais prazenteira que seja, leva-nos à saturação, à perda do interesse por algo monótono. Nós necessitamos de algo novo, que traga de volta o brilho para nossa vida, para uma relação ou para o trabalho. Essas fomes assim como a de comida, podem manifestar-se com uma intensidade maior ou menor. Em determinados momentos nós temos maior ou menor apetite. Assim como as pessoas podem alterar patologicamente a fome de alimentos em quadros como a anorexia ou a obesidade extrema, pode-se alterar qualquer uma dessas fomes e usar-se o nutriente como substituto para algo que esteja faltando. Por exemplo, alguém pode usar sexo para tentar suprir a fome de transcendência, e cada vez mais ficar insatisfeito. Cada pessoa tem apetites diferentes em relação a cada uma das fomes. É o que ocorre com uma pessoa que tenha grande fome de estruturas e incidentes. Essa pessoa pode acabar arrumando um casamento fechado e com regras muito rígidas (para assegurar-se quanto ao que vai fazer hoje à noite ou daqui a 50 anos), porém para saciar a fome de incidentes ela necessita de emoções. Então pode arrumar brigas muito dolorosas com reconciliações extremamente apaixonadas. Isso se dá para saciar a fome de incidentes sem romper a fome de estruturas. Essas fomes existem. Estão aí, e elas não têm nada de errado. Importante é a maneira que cada um de nós cuida de suas fomes. A importância das carícias advém da necessidade de satisfazer essas fomes.
Texto extraído do Livro: A CARÍCIA ESSENCIAL - Uma Psicologia do Afeto - de ROBERTO SHINYASHIKI. PASSAGEM DE ANO
A MAGIA DO ARREBOL... O SOL QUE SE PÕE!... E O SOL QUE NASCE!
Em 2006, enfrentei um período de grande turbulência... mas, tive a felicidade de encontrar conforto na fé e na oração! Sou profundamente grata a Deus, por haver me amparado nos momentos de aflição, e por haver me proporcionado paciência, conforto, e alento! Mas, não tive apenas momentos de tristeza e de turbulência, no ano que termina. Tive também, momentos prazerosos e inesquecíveis!... Fiz amizades valiosas... recebi atenções, carinho, ternura... e contei com a receptividade de pessoas maravilhosas! Vivendo e Aprendendo, aprendi muito em 2006! Aprendi que o progresso é uma das leis da natureza; que todos os seres da Criação, animados e inanimados, a ele estão submetidos pela bondade de Deus, que quer que tudo engrandeça e prospere; Aprendi que a pureza do coração é inseparável da simplicidade e da humildade, e exclui todo pensamento de egoísmo e de orgulho; Aprendi que a benevolência para com os semelhantes, é fruto do amor ao próximo, e produz a afabilidade e a doçura; Aprendi que a dor é uma bênção que Deus envia aos seus eleitos. Percebi o quanto são preciosos, os bens da fraternidade, da esperança, da humildade, do perdão, e da fé em Deus! E pensando no que aprendi e percebi, quero destacar aqui, a importância do Amor ao Próximo! O Amor ao Próximo, é de essência divina!... É o sol interior que condensa e reúne em seu foco ardente, todas as aspirações e todas as revelações sobre-humanas. Eu só tenho a agradecer a Deus, pelo que aprendi, percebi, e recebi em 2006!... Pela dádiva da amizade pura e verdadeira... pelo carinho e doçura que me foram dedicados... pela solidariedade que me foi estendida! O amor está por toda parte na Natureza, que nos convida a exercitar nossa inteligência; é encontrado até nos movimentos dos astros. É o amor que orna a Natureza de seus ricos tapetes; ele se enfeita e fixa sua morada lá onde encontra flores e perfumes. É ainda o amor, que dá a paz aos homens, a calma ao mar, o silêncio aos ventos e o sono à dor. Deixo aqui, o meu reconhecimento, e a minha profunda e eterna gratidão, a todos que me apoiaram, que me compreenderam, que rezaram por mim e pelos meus, que foram fraternos e solidários em meus momentos de dificuldades e aflições! Deixo também, a certeza da minha sincera amizade, reafirmada pelo sentimento da mais alta estima! Embalada pela magia do arrebol, onde 2006 simboliza o sol que se põe, e 2007 representa o sol que nasce, encerro esta mensagem, desejando a todos, um lindo Arco-Íris em forma de Amor, Saúde, Paz, Esperança, Doçura, Luz, e Prosperidade! Fraternalmente, Dilma Damasceno. A MAGNITUDE DO "NATAL"“NATAL”!... ANIVERSÁRIO DO FILHO UNIGÊNITO DE DEUS!
O “Natal” é Esperança, Renascimento, Luz, Amor, Encontro, Solidariedade, Confraternização! Tenho a satisfação de morar em Natal, - a Cidade dos Reis Magos, - fundada em 25 de dezembro de 1599, por Manuel de Mascarenhas Homem, então, Administrador Colonial Português. Natal, Capital do Estado do Rio Grande do Norte, que recentemente recebeu da NASA, o título de “Ar Mais Puro das Américas”, teve início com a construção do Forte dos Reis Magos. Foram, pois, Representantes da Brava Gente Portuguesa, os primeiros a comemorar a festa do “Deus Menino”, na histórica Natal.
Vem dos Três Reis Magos, - a tradição dos presentes, na Noite de Natal, - que, em homenagem ao nascimento de Jesus, depositaram, ao pé da manjedoura que lhe servia de berço: ouro, incenso, e mirra, prendas que simbolizavam a realeza, a divindade e a imortalidade... E é na tradição dos presentes, que se destaca o símbolo natalino, mais aguardado pelas crianças: “Pai Natal”, em Portugal... e “Papai Noel”, no Brasil. O “Natal” é Poesia! É Pureza! É Ternura! É momento em que Deus se revela como Criança!
É maravilhoso constatar que o Espírito Natalino toma conta do mundo, e vai penetrando mais e mais no coração das criaturas! O “Natal”, é História, Magia e Realidade... e ao mesmo tempo, um convite à reflexão, e à evocação de fundamentos importantes, como: Harmonia, Amor, Verdade e Justiça!... Porque a grandeza da Festa Natalina, não está na exuberância exterior, e sim, na beleza espiritual, constituída de Luz, Oração, Humildade, Fé, Caridade, e, Perdão! Aos Amigos e Leitores, votos de Saúde, Paz, e Prosperidade! Fraternalmente, Dilma Damasceno. A DELICIOSA IRREVERÊNCIA DE "JOSÉ LIMEIRA" (1)O VELHO THOMÉ DE SOUZA
A espontaneidade, conquanto seja uma característica bem marcante dos poetas legítimos, nem sempre está presente em suas atividades intelectuais, a exemplo da inspiração que acompanha o poeta, ou dele subitamente afasta-se, às vezes surpreendendo-o pela prodigalidade e, por vezes, traindo-o misteriosamente, como a tímida impressão da miragem.
Diz-se, é comum, que o pintor foi feliz na construção do quadro; que o compositor foi infeliz na elaboração de sua última música; que o tribuno teve momentos felizes no seu discurso; que o poeta não foi feliz no primeiro verso, mas encontrou uma chave felicíssima para fechar o soneto. Diz-se, e em boa hora repete-se, porque a espontaneidade, que é a manifestação mais evidente da inspiração poética, ou, se quisermos, o sopro da inspiração, a exteriorização nítida, forte e imediata do sentido sensorial que nunca abandonou Zé Limeira, pode ser traduzida como a felicidade artística. É um reflexo sincero do estado espiritual do artista, impressionantemente oscilante, que, no caso dos repentistas, tanto pode anulá-los momentaneamente, como, num rompante inesperado, pode conduzi-los à glória, de um momento para outro.
Poetas há, raríssimos embora, cuja obra é integralmente consagrada pelas gerações, ou em parte eterniza-se pela sucessão das reedições. Aqui no Brasil citar-se-iam Augusto dos Anjos, Castro Alves e Olavo Bilac, pois, em verdade, os poetas brasileiros, quase em sua totalidade, têm noventa por cento de suas produções relegadas ao esquecimento. Perde-se, mofa no silêncio das estantes tudo o que se produzir sem o sopro misterioso da inspiração, sem o toque mágico da espontaneidade. Todos eles, entretanto, ficam pela popularidade de um soneto, um poema, às vezes por uma trova, como aconteceu a Américo Falcão: “Não há tristeza no mundo / Que se compare à tristeza / Dos olhos de um moribundo / Fitando uma vela acesa”; Como aconteceu a Júlio Salusses (“Os Cisnes”), Casimiro de Abreu (“Meus Oito Anos”), Hermeto Lima (“Santa”), Jorge de Lima (“Acendedor de Lampiões”), Manuel Bandeira (“A Aranha”), Gonçalves Crespo (“A Confessada”), Mauro Mota (“As Elegias”), Da Costa e Silva (“Saudade”), Raul de Leoni (“Ingratidão”), Zé da Luz (“A Cacimba”), Menothi del Pichia (“Juca Mulato”), Carlos Dias Fernandes (“Miriam”), Raul Machado (“Estela”), Machado de Assis (“A Carolina”), Raimundo Correia (“Mal Secreto”), Coêlho Neto (“Ser Mãe”), Afonso Celso (“Anjo Enfermo”), Padre Antonio Thomaz (“A Meretriz”), Giuseppe Guiarone (“Dia das Mães”), Rogaciano Leite (“Os Trabalhadores”), Jansen Filho (“Copacabana”), Alceu Walmosy (“Duas Almas”), Guimarães Passos (“Teu Lenço”), Ascenso Ferreira (“Perna Pru Ar”), Silvino Olavo (“Trem de Cana”), Leonel Coelho (“Nua”), Luiz Guimarães (“Visita à Casa Paterna”).
O fenômeno, entrementes, não está adstrito ao campo poético. Um orador que haja pronunciado centenas de discursos, poderá tornar-se célebre pela grandeza de uma frase, como um escritor fica presente na memória coletiva por força de um conceito.
Com relação aos repentistas ocorre o mesmo fenômeno. Celebrizam-se, pela tradição oral, com uma sextilha improvisada com espontaneidade.
Essa espontaneidade que disse, por intermédio de Canhotinho:
“Doce como os versos teus Só o mel do uruçu, A água do coco verde, A flor do mandacaru, O riso de uma criança E o canto do uirapuru”.
essa espontaneidade que tocou o pensamento de Apolônio Cardoso:
“Se eu fosse o Presidente Desta nacionalidade, Mandava erguer uma estátua Bem no centro da cidade, De Canhotinho apontando Os erros da humanidade”;
que fez Palmeira Guimarães, o maior glosador que a Paraíba conhece, improvisar, numa rapidez de relâmpago:
“No meu tempo de criança Às seis horas despertava, Quando um aleijado passava Na sua pisada mansa... Cresci, perdi a esperança De perna-de-pau voltar... Ainda hoje, ao despertar, Sinto aquele mesmo choque: Toque... toque... toque... toque... Perna-de-pau vai passar”;
que cintilou na alma de Cícero Bernades, neste improviso irradiado:
“Neste programa diário Quem canta é meu coração, Pois toda vez que aqui canto Deixo, com satisfação, A minha alma retalhada Nos “Retalhos do Sertão”;
espontaneidade que iluminou o poeta Sinval Ferreira da Costa Lima, quando venceu um concurso de glosas em Campina Grande:
“Vou brincar como quem sonha Com uma festa no céu; Camisa, esporte, chapéu, Calça de meia-coronha... Comer canjica e pamonha, Afogar as minhas dores, Arranjar muitos amores, Dançar quadrilha e baião... Vou brincar o meu São João No Clube dos Caçadores”;
que em menos de um minuto imortalizou João Benedito, com este sexteto filosófico:
“Há, entre o tempo e o homem, Contradições bem fatais: O homem não faz, mas diz, O tempo não diz, mas faz, O homem não traz, nem leva, Mas o tempo leva e traz”;
espontaneidade que chispou na alma de Diniz Vitorino, para a explosão destes versos antológicos:
“Eu também fiz uma escada Como fizeram os hebreus, Pra chegar ao Paraíso Com estes próprios pés meus, Caí do último degrau, Já vendo o rosto de Deus.”
Que vibrou no pinho de João Batista Sobrinho, fazendo isto:
“Os seus versos imortais, De um dom puro e divino, Têm a grandeza de um hino Cantando os carnaubais... E, deixando os palmeirais Das serras do Maranhão, Foi cantar sua paixão E ouvir vaqueiro aboiando... Catulo nasceu brilhando Como o Luar do Sertão”.
espontaneidade que celebrizou Manoel Belarmino Duarte, com esta glosa:
“Quando a gente era criança, Que ia por um caminho, E se encontrava um velhinho Estranho na vizinhança, Com a voz tranqüila e mansa Dizia: bença, seu Zé! E ele, na mesma fé, Dizia: Deus te abençôe... Veja o passado o que foi, Olhe o presente o que é”.
Que invadiu Manoel Meneses num dos seus grandes momentos:
“Da meia-noite em diante Ninguém acerta o meu giro. Eu começo guaguejando, Porém depois que me inspiro, Tenho a grandeza do tato Dum cego jogando firo.”
Este aspecto da poesia mereceu uma conferência do Padre Manuel Otaviano, ilustre desaparecido que, no berço do trabuco paraibano, o Piancó, foi pastor de almas, conduziu massas e escreveu livros. Esmerando-se em seus profundos conceitos, o velho escritor foi buscar em Zé Limeira os elementos com que ilustrou o trabalho posteriormente divulgado por uma entidade cultural de João Pessoa.
Antes de citar a estrofe limeiriana que reputava da mais absoluta espontaneidade e que fulgurou no ápice da conferência, o velho sacerdote reportou-se a um hilariante episódio de que foi involuntário personagem, nos idos de 1940: saía do templo quando a noite entrava no Sertão. Dirigia-se à casa paroquial por uma rua estreita quando, súbito, em meio à escuridão reinante, divisou um vulto que se aproximava em sentido contrário. Apenas enxergava aquele vulto em movimento. O indivíduo conduzia uma viola, um matulão e uma espingarda a tiracolo, era de grande estatura e o movimento natural dos braços era o de uma dança desarticulada, lembrando os “números quebrados” do Poeta do Pau – d’Arco. O padre não acreditava em fantasmas, principalmente armado de espingarda, mas parou, instintivamente, recuando alguns passos. E começou o seu dilema: não queria voltar, nem “desejava” prosseguir. O estranho vulto, intimorato, prosseguia caminhando, firme, ao encontro do vigário que, um tanto “emocionado”, não viu outra alternativa:
- Quem vem lá? É de paz? A resposta se fez urgente:
“Quem vem lá é Zé Limeira, Cantô de força vulcânica, Prodologicadamente Cantô sem nenhuma pânica, Só não pode apreciá-lo Pessoa senvergonhânica”.
Ainda cismativo, faz nova indagação, já a esta altura quase ciente de que estava frente a frente com uma aparição. E, compreendendo que não se sairia bem fazendo circunlóquio, foi incisivo:
- Identifique-se, por favor, diga seu nome com mais clareza. Quer reza?
“Meu nome é José Limeira, Cantô que não é pilhérico, Mais já sofreu d’alguns males, Foi atacado de histérico, Chame logo a junta médica, Faça o exame cadavérico”.
Certo, agora, de que dialogava com uma alma, o reverendo precipitou-se na escuridão rumo à casa paroquial. No dia seguinte, pelo jornalista Manoel Alexandrino Leite, seu particular amigo, veio a saber que a voz misteriosa era José Limeira que excursionava pelo Vale do Piancó. Na sala de visitas do Hotel de Justino, o Poeta, sem o mínimo esforço de memória, reproduziu para o jornalista os versos que fizeram com que o idôneo vigário deixasse de transitar, por algum tempo, pela artéria do incômodo encontro.
(Continua...)
Texto extraído do Livro: “ZÉ LIMEIRA, POETA DO ABSURDO”, 3ª Edição – 1974, de autoria do extraordinário ORLANDO TEJO - Escritor, Jornalista e Poeta, natural de Campina Grande – Paraíba - A DELICIOSA IRREVERÊNCIA DE "JOSÉ LIMEIRA" (2)O VELHO THOMÉ DE SOUZA (... Continuação)
À noite, numa casa residencial e de parceria com o mestre Lourival Batista, o Poeta do Absurdo cantava para os piancoenses, aplaudido pelo escritor Manuel Otaviano que anotou em sua agenda versos memorizados por homens do povo:
“Esse é Lourisvá Batista, Que é Batista Lourisvá, É filho da cobra preta, Neto da cobra corá, Tanto faz daqui pra ali, Como dali pra acolá”.
Lourival, cujo coração não cabe no saco da viola, agradeceu a deferência do colega, ironizando:
- Bonito, Limeira! Grande verso! Não mereço tantos elogios!
- Agora vá decorá e sair por aí dizendo que é seu!
“O aboio do vaqueiro. Nas quebradas do Sertão”, mote que surgiu imediatamente após a sextilha, foi por Limeira glosado assim:
“Às tantas da madrugada, O vaqueiro do Prefeito Corre alegre e satisfeito Atrás da vaca deitada, Deitada e bem apojada Com a rabada pelo chão... A desgraça de Sansão Foi trair Pedro Primeiro... O aboio do vaqueiro Nas quebradas do Sertão”...
E logo em seguida:
“Frei Henrique de Coimbra, Sacerdote sem preguiça, Rezou a Primeira Missa Na beira duma cacimba. Um índio passou-lhe a pimba, Ele não quis aceitá E agora veve a berrá Detrás dum pau de jureme... O bom pescador não teme As profundezas do mar”.
“Frei Henrique descansou Nas encosta da Bahia, Depois fez a travissia Pra chegá onde chegou, Pegou a índia, champrou, Ela não pôde falá, Assou carne de jabá, Misturou com queroseme... O bom pescador não teme As profundezas do mar”.
A noite vinha saindo Pru dentro da ventania, Vi o rastro da cutia Na minha rede dormindo, A tremela foi caindo, Gritei pelo meu ganzá, Anum preto, anumará, Só gosto de nega feme... O bom pescador não teme As profundezas do mar”.
O Poeta informa a sua procedência religiosa:
“Minha mãe era católica E meu pai era católico, Ele romano apostólico, Ela romana apostólica, Tivero um dia uma cólica Que chamam dor de barriga, Vomitaro uma lumbriga Do tamanho dum farol, Tomaro Capivarol, Diz a tradição antiga”.
“Minha avó, mãe de meu pai, Veia feme sertaneja, Cantou no coro da Igreja, O Major Dutra não cai, Na beira do Paraguai Vovó pegou uma briga, Trouve mamãe na barriga, Eu vim dentro da laringe, Quage me dava uma impinge, Diz a tradição antiga”.
Foi à glosa abaixo que o Padre Manuel Otaviano se referiu, como sendo a estrofe mais espontânea de quantas lhe chegaram ao conhecimento, sendo, ao mesmo tempo, o mais irreverente de todos os improvisos de Zé Limeira:
“O véio Thomé de Souza, Governador da Bahia, Casou-se e no mesmo dia Passou a pica na esposa... Ele fez que nem raposa: Cumeu na frente e atrás, Chegou na beira do cais, Onde o navio trefega, Cumeu o Padre Nobréga, Os tempos não voltam mais”.
Texto extraído do Livro: “ZÉ LIMEIRA, POETA DO ABSURDO”, 3ª Edição – 1974, de autoria do extraordinário ORLANDO TEJO - Escritor, Jornalista e Poeta, natural de Campina Grande – Paraíba - A BELEZA DO CORDEL ALENTEJANOA SAGA DO CORDEL“VIVENDO E APRENDENDO” & “ALENTEJANO E EBORENSE”“DUETO EM VERSOS”É com imensurável prazer, que retorno a este Espaço!Mas, devo confessar que, além da saudade que sentia, eu me senti conclamada pela força do Cordel Alentejano!Não pude, portanto, calar o desejo de prestar uma homenagem ao Amigo “Carlos Ferreira”, que brilhantemente, dedicou uma semana do seu construtivo espaço, à Literatura de Cordel!Sobre a maravilhosa SAGA, que inspirou um original “DUETO EM VERSOS”,tenho a relatar:Em 29/10/06, “Carlos Ferreira”, em visita ao “Vivendo e Aprendendo”, no rodapé da Entrada: “A MAGIA E A PUREZA DE JOSÉ LIMEIRA – 1ª PARTE”, teceu o comentário, ipsis litteris:“Olá...Parou mesmo!...foi?...então vou eu escrever qualquer coisa... sobre a temática apresentada no seu espaço...tenho de recuar 50 anos no tempo...um dia destes, passe por lá... e verá o escrituzinho sobre o tema...tenho que arranjar um faducho a condizer...Rsssss. Deste seu amigo e leitor. Carlos...”
E “Carlos Ferreira”, com determinação e sapiência, passou a falar sobre Cordel, iniciando a interessante SAGA, que denominou de “Vivências”!
Logo no dia 30/10/06, “Carlos Ferreira” escreveu Vivências (1), e no encerramento, declarou: “... A saga vai continuar... já que arregacei as mangas...” Entusiasmada com a peça que acabara de ler, teci um comentário com feição de desafio! O desafiado, brilhantemente, superou a expectativa da desafiante!
Dilma:
Se continuas a SAGA,
“Carlos Ferreira”, permaneceu na trilha do cordel, no estilo “ prosa”, publicando em 02/11/06, Vivências (2)...Continuação ... e no arregaçar das mangas...Ao ver a matéria apresentada, o meu entusiasmo, naturalmente, aumentou!Dilma:
A Saga que vejo agora, tem a voz do "Alentejo"! Soa, festiva e sonora!... Sinto prazer, no que vejo!
Na seqüência, em 5/11/06, brilhava no Espaço: “Alentejano e Eborense” o Capítulo: Vivências (3)... Continuação ... e no arregaçar das mangas... Em certo momento, “Carlos Ferreira”, declara: “... Na continuação iremos até ao 4º e final sobre este tema, bem bonito, em que fui desafiado, por uma Cabra da Peste...” E mais adiante, visivelmente inspirado, finalizou o capítulo, com a seguinte indagação: “... O Cordel Alentejano... também existe?...” Carlos: A saga de todos nós Vos deixo apontamentos…. São artista de mão cheia Dilma: Sou mesmo, "Cabra da Peste", E falo "isso", orgulhosa! Adoro ler meu Nordeste... Seja em verso, seja em prosa!
Com prazer, me reporto à indagação: "E o cordel alentejano... também existe?" - Mas, é claro que sim! E aqui, meu coração se declara: ora, alegre... e ora, triste!...
Alegre, em ouvir e ver, esse louvor puro e certo!... Triste, por não conhecer o "Alentejo", de perto!
Nobre Amigo: O "Alentejo", Além de, "amigo do peito", Tem cordel de "realejo",* P'ra ninguém, botar defeito!
Não tardou a surgir o capítulo final. Em 6/11/06, ao acessar o espaço de “Carlos Ferreira”, um som de viola, harmonioso e ritmado, tomava conta do ar! Vivências (4)... Continuação ... e no arregaçar das mangas..., fazia a festa!
Carlos: Esta SAGA ao fim chegou Alentejano, Poeta Teu Cante, é bem formoso Eu agora, pus-me a pensar Tem cordel de realejo Dilma Desafiei o Amigo p'ra falar sobre Cordel... e com prazer, eu lhe digo: Adorei o seu papel!
Sobre "Cordel", seu Abrigo, abriga um rico tesouro!... Esta "Saga", o nobre Amigo, fechou com "Chave de Ouro"!
Está realmente, de parabéns, o Amigo “Carlos Ferreira”! Esta humilde nordestina, fiel admiradora e divulgadora do cordel, reitera os agradecimentos iniciais, formulados no comentário feito em Vivências (1), em nome dos Irmãos Nordestinos, ao “Alentejano” e “Eborense”, que nos presenteou com belos momentos de poesia autêntica e pura!
Eis porque, preciso fazer um esclarecimento sobre “realejo”!
* "Realejo", além de ser um instrumento musical, também é visto como "uirapuru", um pássaro tido como particularmente melodioso, musical, e diverso do de outra ave qualquer, a ponto de, segundo a lenda, os outros pássaros todos se calarem para escutá-lo! E intercalei a nota esclarecedora, para externar com profunda e sincera convicção: A Saga apresentada por “Carlos Ferreira”, tem a melodia do “uirapuru”!
... E então, voltei, ao “Vivendo e Aprendendo”!...Para aprender mais... como agora, com esta SAGA,misto de Literatura de Cordel: “Portuguesa” e “Brasileira”...“Alentejana” e “Nordestina”...e que une “Portugal” e “Brasil”, pelos laços da cultura, da arte, e da tradição...e muito especialmente, através da prosa e da poesia!Como mencionei no meu comentário sobre Vivências (4), cumpre-me reafirmar, que eu não podia mesmo, continuar distante por mais tempo, de uma convivência tão boa, saudável, e prazerosa, como esta, formada por pessoas, literalmente, do bem!
A SAGA DO CORDEL, bem escrita, bem fundamentada, e bem ilustrada, encontra-se à disposição dos interessados, no Espaço “Alentejano e Eborense”, do Ilustre Carlos Ferreira... Basta acessar http://webintercam.spaces.live.com/
Como autêntica “cabra da peste”, que sou... eu recomendo!
Feliz em reencontrá-los, um grande abraço a todos! Dilma Damasceno. A MAGIA E A PUREZA DE "JOSÉ LIMEIRA" - PRIMEIRA PARTE
FILOSOMIA, FILANLUMIA E PILOGAMIA
Refratário às convenções sociais, aos velhos tabus, indiferente à crítica ou a qualquer Juízo sobre seus versos e sua pessoa, José Limeira foi um dos raros homens livres que habitam a Terra. Amou a liberdade em todos os seus ângulos, homenageando-a no pensamento e nas ações quotidianos. Fez o que quis fazer, andou por onde quis andar, ouviu o que quis ouvir, disse o que quis dizer.
Homem, foi um pássaro; Poeta, mais do que isto, o próprio vôo. Vôo desarticuladamente ascensional, ilimitado, sidérico, no entanto tergiversante, infirme. Vôo condoreiro, mas precipitado, delirante, alçado pelo delírio de uma plumagem imprecisa, indo inopinadamente de encontro ao azul de uma amplidão espacial imensurável, embora inconseqüente.
Mas, dentro desse mundo fantástico, agindo e pensando livremente, José Limeira não seguiu ninguém. Foi autêntico, sóbrio, impressionantemente original. Ninguém, como o Poeta, conseguiria ser tão mesmo.
Nos seus remígios mais incontrolados, chegou a enriquecer o vocabulário da cantoria, criando palavras que deram certa ênfase às produções poéticas, ainda hoje repetidas por muitos cantadores, como é o caso dos interessantes vocábulos filosomia, filanlumia e pilogamia, somados a outros que continuam desafiando a sapiência dos etimólogos, como, por exemplo, prodologicalidade e fulupafilutupeia.
É de se concluir que filosomia seja, para o Poeta, as coisas relacionadas com a História Sagrada ou ela, em si (“Pra cantá” filosomia / Sobre a vida de Jesus...”), assim como filanlumia seria a liberdade, a paz, a mansuetude (“Canto debaixo da terra / Na santa filanlumia...”) e pilogamia viria a significar imensidade, vastidão, plenitude, pois presume-se que, quando o Poeta falou em “Oceano disdobrado / No véu da pilogamia”, quisesse determinar um sentido de amplitude, um sentido puramente dimensional ao mundo maravilhoso que teve nas mãos, um mundo aberto e risonho, um céu muito azul e amplo, por onde voejaram, sem o atropelo das limitações, as asas coloridas de uma inspiração vacilante, contudo imperiosa nas próprias oscilações, serena, inconsútil.
Somente uma acurada e paciente análise poderia esclarecer a intencional ou não terminologia do Poeta do Absurdo, particularmente no caso dos três vocábulos em questão, já que prodologicalidade e fulupafilutupeia, além de outras “hieroglíficas” palavras, não oferecem uma idéia, mesmo vaga, de roteiro que possa identificar a sua estranha etimologia.
... Filosomia, filanlumia e pilogamia são palavras que Zé Limeira inventou por ocasião de uma cantoria no então distrito campinense de Lagoa Seca, em 1951, sobre o que depõe, com bastante propriedade, um dos melhores amigos que o pássaro do Teixeira conservou na Grande Campina Grande, o poeta Heleno Firmino:
“Como é bom recordar o passado, principalmente quando esse passado nos traz recordações agradáveis! Nossa memória é uma espécie de armazém cujo estoque não o enche nunca. Assim também é o nosso coração, um grande depósito de armazenar saudades. Nós vamos mergulhando no passado e às vezes temos medo de não voltar à tona, tamanha é a profundeza percorrida.
Mas, nesses mergulhos, nossas almas parecem voltar mais lúcidas, mais puras, mais cristalizadas. Neste mergulho que ora empreendo a um passado não muito distante, encontro-me em Lagoa Seca, no ano de 1951, funcionário do Serviço Florestal do antigo distrito de Campina Grande, e vem-me à memória a figura inesquecível do Poeta José Limeira, um dos maiores amigos que tive na vida. Uma grande figura humana, um tipo humano a quem as pessoas ficavam presas no primeiro contato, para sempre. Mas, vamos mais diretos ao assunto.
Como funcionário do antigo Serviço Florestal do então distrito campinense de Lagoa Seca, residi alguns anos ali, até 1952, onde residiu também o famoso Poeta José Limeira, meu velho amigo do Sertão. Ele morou ali por volta de 1951 e durante o tempo que ali passou, quase que não ia visitar a família, pois vivia andando pelo Sertão a fazer cantorias, sempre a pé. Era muito querido de todos e não deixou um só inimigo. Todos eram seus amigos e admiradores. Era um homem de muito respeito, muito direito, e procurava sempre ajudar aos necessitados. Apesar da ligação que ele tinha com Lagoa Seca, pois ali estava sua família, só cantou uma vez naquele distrito, e na minha residência. Foi numa noite de São Pedro que nunca pude esquecer. O velho cantador nos fez passar toda a noite ouvindo baião de viola, com pequenos intervalos. A sua bonita voz e a sua simpatia prendiam mesmo a mais exigente assistência. A sala estava repleta de amigos meus que se divertiram pelo resto da vida. Interessante é que Limeira não fazia questão de cantar de parceria. Tanto fazia cantar com um companheiro, como só.
Bem, na qualidade de funcionário daquela repartição, privo da amizade de muitos agrônomos. Naquele dia tomei emprestado o gravador de um deles, por sinal já falecido, e consegui gravar os versos que aí estão, tal qual foram improvisados.
Uma curiosidade: entre outras palavras pronunciadas por ele, que eu nunca consegui entender a significação, estão estas três: “Filosomia, Filanlumia e Pilogamia”. Ele explicava, mas eu nunca entendi. Na sua inocência, o Poeta iniciou a cantoria com uma irreverente saudação à minha esposa, o que perdoei, levando em consideração que conhecia de perto, há muitos anos, o violeiro do Teixeira e sabia que se tratava de um homem honesto, uma alma pura de criança”.
Matéria extraída do Livro: “ZÉ LIMEIRA, POETA DO ABSURDO”, de autoria do extraordinário ORLANDO TEJO - Escritor, Jornalista e Poeta, natural de Campina Grande – Paraíba. A MAGIA E A PUREZA DE "JOSÉ LIMEIRA" - SEGUNDA PARTEConstruções de José Limeira, empregando os interessantes vocábulos: Filosomia, Filanlumia e Pilogamia, em seguida ao depoimento do Poeta Heleno Firmino, que nas palavras finais, declarou:
“... e consegui gravar os versos que aí estão, tal qual foram improvisados...” “... o Poeta iniciou a cantoria com uma irreverente saudação à minha esposa, o que perdoei ...”
Os versos, segundo a fita magnética:
“Cantá pra Dona Zefinha É só o que me omenta, Pois conheço a muié boa Pelo buraco da venta. Porém gosta duma briga, Muié da venta comprida Quage toda é ciumenta.
Senhora Dona Zefinha, Esposa dum cabra macho, Muié boa qui nem essa No mundo todo não acho... Eu sou um home de fé, Mais só conheço a muié Olhando a parte de baixo.
Seu Heleno eu já conheço, Não perciso mais falá. Que na famia de peba É quage um tamanduá... Grande poeta e pachola, Quando pega na viola É da tampa pipocá.
Me chamo José Limeira, Cantô de sabiduria, Peço licença premero Pra cantá filosomia Sobre a vida de Jesus O home que deu a luz A Pedro e Santa Luzia.
Filosomia discreve A vida desses vivente: Do sordado de puliça, Do Juiz e do tenente, Do cavalo e do vaqueiro, Do peba e do tabuleiro. Da viúva na vertente.
Discreve também a vida Dos home lá do Sertão: O boi de cara rajada, O móio do barbatão... Quem esse livro aprendê Um dia vai conhecê A vida de Lampião.
Esse livro insina tudo Que tivé nas Escritura, Fala na vida de Cristo Vindo do céu da fartura, Fala em Maria José E também de Jisué Na feira de rapadura.
Conhece também o cabo Da enxada Tamandaré, Bacamarte e lasarina, Uma pá, uma cuié. O mato grosso que estala, Conhece também a fala Do pai da minha muié.
Do sertão eu só conheço A traíra, o sururu E só conheço da Igreja O cheiro do cumaru, Mais conheço a ventania, Pela beleza do dia Conheço a surucucu.
Home só presta bem macho, Moça só presta enfeitada, Cabra ruim só vai na peia, Muié só presta arpejada, Porém só presta bem feme Do jeito que foi Noeme Com cinco mês de casada.
São José já me dizia, Você tem que vê de tudo: Cachorrada, safadeza, Home macho cabiludo... Você vai vê em Campina Muié da calça tão fina Que a gente vê o veludo.
A santa filosomia Discreve os peixe do mar, As sereia do sertão, Mula preta e mangangá, Muié de saia rendada, Moça branca misturada, Carro-de-boi Jatobá.
O livro diz que Jesus Condenou a Besta-Fera No currá do aprocalipes, Que a ciência disunera.... Santo Agostinho cantou De pareia com um pastor Da Igreja da primavera.
Fala também nas astuça Do Sino de Salamão, São Tumaz ferrando bode Nas encosta do sertão, Fala do filho de Elia Que pegou, por arrilia, No mocotó de Sansão.
Esse livro tem de tudo Que o cristão pensá no mundo: A fala de Agamenon, A mãe de Pedro Segundo, Avô de Pedro Primeiro, Que cantô num cajueiro Seu sentimento profundo.
O livro tem três arroba Só de letra e de papé. Todo seu materiá É fazido de rapé, A trazeira é luminosa, A capa é também famosa, Da cor da sola do pé.
Zé Limeira quando canta, Credo em cruz, Ave-Maria Canto debaixo da terra Na santa filanlumia, Nos Arricife ou na roça.... Três muié da perna grossa, Três bigode, três Luzia.
Não tem coisa mais bonita Do que a cara da lua, Uma muié passiando Pula calçada da rua, Quando vai bem alinhada, Bem foimosa, bem taiada, Com as perna quase nua.
Não tem home cuma eu, Nem tem home cuma eu sou... Sou filho de minha mãe, Misturado a meu avô... Assim são os filho meu, Da mesma raça de Deus, Foi Ele que me gerô.
Maria quando nasceu Já são José existia. Assim que ela viu José Foi sentindo uma agonia, Mudou logo o pensamento, Congelou o casamento Com cento e vinte e três dia.
Assim ficou São José Vivendo com a muié, Quando não tinha café Ela fazia pirão De caroço de algodão... Fazia seu santo unguento, Tomava e dava ao jumento Nos oito pés a quadrão.
São José no Santo Egito, Cantava bom e bonito, Quando ele atochava um grito Assombrava até leão... Comia sopa de pão Pra ficá forte e valente, Convidava São Vicente Pra cantá oito a quadrão.
Na gruta de Ferrabraz, São Tomé caiu pra trás, Pisou no calo de Braz, Comprou um maço de pão, Comeu que caiu no chão, O resto deu ao menino Que ali solfejava um hino Nos oito pés a quadrão.
Aqui eu cantando só, Sou parente de mocó, Quando a goela dá um nó Grito por São Damião. Sou cachimbo de trovão, Resadô do mês de maio, Curo as mágoa como o orvaio Dos oito pés a quadrão.
Eu sou corisco pastando No vergel da ventania, Oceano disdobrado No véu da pilogamia... No dia trinta de maio Pelei trinta papagaio, Santo Deus, Ave-Maria.
Lagoa Seca parece Uma moça no cinema; Viva o Pico do Tendó, Papa de bico de ema.... Convido Dona Zefinha Pra ir na minha terrinha. Conhecer o meu sistema.
Pra vê o Pico do Jabre Com três mil metros de artura, Chupá laranja tão doce Que é vê uma rapadura... Parece que me arrescordo: Alencar morreu a bordo Do vapô da desventura.
Lá na Serra do Teixeira Nasci, sendo bem criado... Na Alemanha os japonês Já sabe lê um bucado... Conheço esse mundo inteiro, Fica tudo no estrangeiro, Do Teixeira do outro lado.
Tudo que eu dixé agora Vocês note no caderno: A feme de pato é pata, O macho de perna é perno... Seu Heleno, me arresponda, Qual é o macho de onda, Qual é a feme de inverno...
Minha voz fica apregada Pru dentro desse apareio, Foi os doutô que inventô Esse bicho de aperreio... Seu Heleno, eu quero o nome Desse tá doutô agrome Que trouve esse bicho feio.
O continente estrangeiro Fica vizinho da Oropa, Pru dentro de Nazaré, Sendo do lado da copa. Foi lá onde os apostólo Leu todo o livro de Apolo, Dispois entregou a tropa.
Seu Heleno, eu tou cansado De cantá pilogamia... Peço licença ao sinhô Pra pará na violinha... Peço licença ao sargento, A chuva cai em São Bento, Até já, Dona Zefinha”.
Do Livro: “ZÉ LIMEIRA, POETA DO ABSURDO”, de autoria de Orlando Tejo. CONHEÇA O RIO GRANDE DO NORTECONHEÇA AS PRINCIPAIS CIDADES DO RIO GRANDE DO NORTE... Começando por “Natal”, a Capital do Estado
Em 25 de dezembro de 1597, quando o Capitão-mor de Pernambuco, Manoel de Mascarenhas Homem, aportou com sua esquadra na foz do Rio Potengi ele tinha como objetivo ocupar, em nome de Portugal, uma região então denominada por corsários franceses e índios hostis. A primeira providência foi construir uma fortificação, denominada Forte dos Reis Magos e entregar o comando das operações terrestres a Jerônimo de Albuquerque.
A ocupação total somente se deu dois anos depois, após embates contra os franceses e articulações com os indígenas. Em 25 de dezembro de 1599, Jerônimo de Albuquerque, fundou a Cidade de Santiago, posteriormente rebatizada como Natal. A coincidência entre as datas do desembarque da expedição e da fundação da cidade, ambas no dia 25 de dezembro, dia do nascimento de Cristo, justifica a escolha do nome – Natal.
Corria o ano de 1633, quando Natal foi conquistada pelos holandeses da Companhia das Índias Ocidentais, passando a chamar-se Nova Amsterdam. A Cidade permaneceu com esta denominação, até quando tropas portuguesas, auxiliadas por brasileiros e índios aliados expulsaram os invasores e restauraram o domínio de Portugal na região.
A partir daí, a cidade só cresceu. Natal tem várias denominações, dentre elas: “Trampolim da Vitória" – Porque daqui partiam os aviões americanos para combater o nazi-fascismo na Europa durante a II Guerra Mundial; também “Capital Espacial do Brasil" – Depois da instalação de uma base de lançamento de sondas de análises meteorológicas na base de lançamentos de Barreira do Inferno.
Mossoró
Mossoró é a cidade mais importante do Estado. Distante de Natal, a 240 Km, Mossoró tem em sua história a marca do pioneirismo: libertação dos escravos em 1883, cinco anos antes da Lei Áurea, inscrição da primeira eleitora feminina da América Latina, Professora Celina Guimarães Viana, e resistência ao Bando do Cangaceiro "Lampião".
A sua economia está baseada no tripé: sal (maior produtor do país), petróleo (segundo maior produtor em volume do país e primeiro em produção terrestre) e fruticultura tropical irrigada (140 mil toneladas de frutas destinadas ao mercado exterior).
Parnamirim
Conhecida como “Trampolim da Vitória”, está distante de Natal a apenas 12 km da capital. A história do município de Parnamirim se encontra estreitamente relacionada com a história da aviação no Rio Grande do Norte. Os primeiros sinais de povoamento surgiram com a construção de um campo de pouso e decolagem de uma comitiva francesa. Durante a Segunda Guerra Mundial, a localização estratégica deste campo de aviação, na esquina do continente americano e em um dos pontos mais próximos da África, foram decisivos para a instalação de uma base aérea norte-americana, o que conferiu ao município o título de “Trampolim da Vitória”.
A cidade de Parnamirim, nas décadas de sessenta e setenta, se destacou fortemente no setor fabril, com a instalação em seu território de um autêntico distrito industrial. Atualmente, Parnamirim congrega uma diversidade de empresas que comprovam seu crescimento urbano acelerado, que se deve em parte a sua proximidade de Natal, bem como ao seu papel de entreposto comercial de passagem pela conexão BR-101 e 304.
Caicó
Conhecida como a “Rainha do Seridó”, está a 269 quilômetros de distância da capital. O município possui vários açudes, sendo o Itans o mais importante, com capacidade para 81 milhões e 750 mil metros cúbicos de água. Tem importantes riquezas naturais espalhadas por todo o seu território. A Serra da Formiga, rica em minério de ferro, é um significativo atrativo turístico. Na culinária, a cidade se distingue pela extraordinária carne de sol e os queijos de manteiga e coalho, além dos deliciosos doces e biscoitos caseiros. Também no artesanato, Caicó se destaca nacionalmente pelos bordados feitos à mão e as rendas de bilros.
Caicó, no mês de julho se concentra nas comemorações da Festa da Padroeira, Nossa Senhora de Santana. A Festa de Santana, como é conhecida, mistura o profano com o sagrado, atraindo pessoas de todos os lugares da região e do Estado, além de trazer conterrâneos de todas as partes do País, reunindo-os numa grande confraternização. Outro evento que vem projetando a cidade, é o carnaval, que com seus blocos de rua, anima os foliões, atraídos pelo clima de alegria contagiante.
Ceará-Mirim
Inicialmente povoada por índios potiguares, que fizeram seus primeiros contatos com o mundo ocidental através do comércio de pau-brasil, com franceses e espanhóis. Posteriormente, com a consolidação da colonização do Brasil, foi ocupada pelos portugueses.
A organização inicial da comunidade é atribuída ao líder Felipe Camarão, combatente na expulsão dos holandeses, do Nordeste. No início do século XVII, suas terras são concedidas a vários donatários, dentre eles a Companhia de Jesus.
Os Jesuitas fundam um convento na localidade conhecida como "Guajiru", dando início à construção das primeiras edificações públicas.
O município foi criado em 1755, e forma, junto com os municípios de Natal, Parnamirim, Macaíba, Extremoz e São Gonçalo do Amarante, a Região Metropolitana de Natal.
Fontes de Pesquisa: 1) Documentários de órgãos públicos; 2) Internet.
Apresentação, por Dilma Damasceno. BELEZAS DO ESTADO POTIGUAR(Teste de aprendizado, que submeto à aprovação do Mestre "Carlos Ferreira")
O meu primeiro texto, incluindo imagem
O Rio Grande do Norte, tem atrações para todos os gostos! Praias agitadas, Um belo espetáculo, fica por conta do Rio Potengi, que proporciona deliciosos passeios ao litoral norte, através de balsas e de barcos. O porto de Natal, é uma das atrações preferidas pelos visitantes. Admirar o por-do-sol no Rio Potengi, é simplesmente emocionante!
(Por Dilma Damasceno) CONHEÇA OS ESTADOS DO NORDESTE BRASILEIRORIO GRANDE DO NORTE: SIMPLICIDADE, LUZ, E BELEZA!
O Rio Grande do Norte está localizado na esquina da América do Sul, na Região Nordeste do Brasil. Limita-se ao Norte e a Leste com o Oceano Atlântico; ao Sul com o Estado da Paraíba e a Oeste com o Estado do Ceará. Atualmente o Estado é habitado por aproximadamente 2.776.782 habitantes.
Densidade demográfica: 51,97 hab/km² Clima: Tropical Semi-Árido Gentílico: Potiguar ou Norte-rio-grandense. Hora local: A mesma em relação à Brasília. Cidades principais: Natal, Mossoró, Parnamirim, Caicó*, e Ceará-Mirim. Colonização: Holandeses e Portugueses. Economia - Petróleo, agricultura, fruticultura e indústria. Agricultura: Cana-de-açúcar, feijão, milho, mandioca, coco-da-baía, castanha de caju e melão. Pecuária e criações: Bovinos e ovinos. Minérios: Sal marinho e petróleo. Indústria: Confecções, cerâmica e têxtil. H I S T Ó R I A
Com a distribuição das capitanias hereditárias, o então Rio Grande é doado, em 1535, a João de Barros pelo Rei Dom João III de Portugal. A colonização fracassa e os franceses, que traficavam o pau-brasil, passam a dominar a área até 1598, quando os portugueses, liderados por Manuel de Mascarenhas Homem e Jerônimo de Albuquerque, iniciaram a construção do Forte dos Reis Magos para garantir a posse da terra.
O domínio lusitano durou até 1634, quando o Forte dos Reis Magos caiu em poder dos holandeses, que só foram expulsos em 1654. Nesse período, todos os arquivos, documentos e registros do Governo Português foram destruídos, o que até hoje dificulta a reconstituição da história da época.
Em 1701, após ser dirigido pelo governo da Bahia, o Rio Grande do Norte passou ao controle de Pernambuco. Em 1817, a capitania aderiu à Revolução Pernambucana, instalando-se na cidade de Natal uma Junta do Governo Provisório. Com o fracasso da rebelião, aderiu ao Império e tornou-se Província em 1822. Em 1889, com a República, transformou-se em Estado.
CULTURA E POVO DO RIO GRANDE DO NORTE O Rio Grande do Norte tem um dos mais extensos litorais do Brasil, com 400 Km de extensão, rico em beleza natural e história.
A união dos três grupos étnicos fundadores do povo brasileiro - o negro, o índio, e o português - aliados aos imigrantes holandeses formam a origem do povo norte-rio-grandense.
TURISMOÉ nítida a importância econômica que o Turismo assume como gerador de renda, empregos e receita no Estado. O Turismo constitui o segmento econômico que mais emprega no Rio Grande do Norte, principalmente através de pequenas e médias empresas, sendo a geração de empregos uma das razões que justificam o esforço de captação de novos investimentos.
Marcos históricos também fazem parte da capital, como o Marco de Touros, padrão de posse mais antigo do Brasil, trazido na expedição de Gaspar de Lemos em 1501, afirmando a soberania de Portugal e uma Coluna do antigo Capitólio Romano, presente do Duque Italiano Benito Mussolini e que é o único monumento romano nas Américas.
Outros pontos turísticos do litoral sul, são o Centro de Lançamento de Foguetes da Barreira do Inferno, e as praias, onde se é possível contemplar ao longe, golfinhos, e a beleza natural da região.
TURISMO PEDAGÓGICO
O Turismo Pedagógico é uma modalidade relativamente recente no Brasil, quando comparada a outros tipos tradicionais de turismo. Sua preocupação básica centra-se na melhor maneira de conduzir a atividade educativa, de forma a alcançar finalidades pedagógicas, por meio da experiência turística. O Turismo Pedagógico se apresenta como uma possibilidade de tornar o conhecimento pertinente, contextualizado e real. A viagem é o elemento motivador para dar encanto à educação. No Turismo Pedagógico, os diversos saberes e realidades são articulados como necessidade de reconhecer e conhecer os problemas do mundo, em um ambiente de divertimento e prazeres.
O Turismo Pedagógico apresenta, ainda, a grande vantagem de promover a interiorização do turismo e a diversificação da oferta turística do Estado.
No Rio Grande do Norte, são dois os municípios: Parnamirim e Macau, pioneiros nessa modalidade, apresentando possibilidades de exploração pedagógica e projetos pedagógicos interdisciplinares, ricos e diferenciados.
AS BELEZAS NATURAIS
As dunas de Genipabu (banhadas de sol o ano inteiro);
As praias (mar de águas cristalinas, calmas, mornas, verdes), e algumas, desertas e selvagens, de águas morenas, como Sagi**, singelamente encantadora!
O Cajueiro de Pirangi (o maior do mundo);
As Piscinas Naturais de Pirangi (rodeadas de recifes de corais, com águas cristalinas e pequenos peixes);
As Piscinas Naturais de Maracajaú (cercadas por cardumes de pequenos peixes, lagostas, camarões e várias espécies marítimas);
A Reserva Florestal da Mata Estrela ( patrimônio da humanidade);
O Parque das Dunas (considerado o “pulmão” de Natal);
As Serras de Martins, Patu e Portalegre (de paisagens únicas, selvagens e preservadas);
As Falésias, especialmente, as de Barra de Tabatinga (um desafio às palavras e às imagens);
As Lagoas, que completam o conjunto das belezas do cenário natural do Estado, com destaque para as Lagoas de Pitangui, Jacumã e Arituba, onde, depois da emoção de diversões como o “aerobunda” e o “esquibunda”, a queda para um banho de água doce é tão inevitável como inesquecível.
A CULINÁRIA
Pela sua localização geográfica privilegiada, o Rio Grande do Norte, às margens do Atlântico, tem uma culinária que se divide entre os produtos da terra e os frutos do mar. Entre as mais variadas comidas que o povo consome há séculos, no interior do Estado estão aquelas que derivam da atividade pecuária: a carne-de-sol, a paçoca, o queijo de manteiga e de coalho, a coalhada, etc.
Também é comum as comidas preparadas com produtos da terra, como a mandioca, milho verde, coco, etc., que são utilizados nas iguarias: Caranguejada, Cocada, Cuscuz, Feijão Verde, Lingüiça do Sertão, Macaxeira, Peixe Frito, Tapioca, etc...
Entre os ingredientes de preparo da culinária do Rio Grande do Norte, destacam-se: a Farinha (a camada primitiva, o basalto fundamental na alimentação brasileira), e o Leite de Coco (um dos populares condimentos utilizados no Brasil, notadamente pelo Nordeste).
Entre os frutos do mar, estão os peixes miúdos como: cangulo, sanhoá, biquara, carapeba e os pescados mais nobres como: camarão, lagosta, arabaiana, cioba, cavala, bicuda, garoupa.
Há, ainda: galinha caipira, carneiro, buchada, galinha à cabidela, e frutas regionais, como: manga, mamão, abacaxi, banana, caju, cajá, mangaba, e maracujá.
Não se pode esquecer dos bolos de carimã e de macaxeira, pé-de-moleque, canjica, pamonha, grude, e, ginga com tapioca.
O ARTESANATO
No Rio Grande do Norte, o artesanato começa pelos Alimentos, na fabricação caseira de doces típicos, com produtos regionais, e se estende aos trabalhos que contemplam:
Cerâmica, concentrada em São Gonçalo do Amarante, Ceará-Mirim, Florânia e São Tomé;
Cestarias e Trançados, (com utilização de palhas);
Couro (de origem caprina ou bovina), cujos pólos de produção, são Natal, Caicó e Taipu;
Madeira (peças esculpidas formando utilitários diversos), destacando-se Taipu e Macaíba;
Pedras (formando adornos diversos), com maior produção em Currais Novos;
Rendas e Bordados (belíssimos trabalhos), tendo Caicó como pólo produtor; Tecelagem (preparação do fio para fazer pano, sendo a rede, o produto mais representativo e comercializado nessa tipologia). Acari, Jardim do Seridó, Florânia, Arez, Ipanguaçu, São Paulo do Potengi, e São Tomé, são os municípios que mais produzem esse tipo de artesanato, utilizando-se de teares movidos a pedal.
O SENTIMENTO NORTE-RIO-GRANDENSE
Conhecer o Rio Grande do Norte é como vivenciar o prazer em todos os sentidos. No deslumbre de suas praias, rodeadas de coqueiros, falésias e brancos desertos de dunas com lagos que compõem paradisíacos oásis; nos braços de rios que surgem inusitadamente e correm para o mar; e na exuberante vegetação de mata atlântica, abrangendo todos os recantos do seu litoral, onde o sol parece ter escolhido sua morada permanente.
Desperte com o cantar dos pássaros à sua janela. Você está em um local privilegiado, onde a natureza ainda se mostra com toda a sua beleza descontraída e irreverente.
Do mesmo modo, você será embalado todas as noites pelo som das ondas do mar, quebrando com violência nos arrecifes, ou de mansinho, como que acariciando as areias da orla.
Também os cantos entoados pelo povo potiguar irão lhe ensinar as lendas e mitos épicos de seus antepassados, cultura popular transmitida de pai para filho, ao longo dos mais de 400 anos de existência de sua gente que fincou raízes entre o rio e o mar.
O prazer também você encontra – e que prazer! – no cheiro e sabor da rica e variada culinária da terra dos papa-jeremuns, que mistura os pratos simples de pescadores e homens da roça, passando por uma gastronomia mais sofisticada, à base de frutos do mar, até as exóticas iguarias, heranças deixadas pelos antepassados índios, negros, franceses, portugueses e holandeses.
Sinta também a atração do sertão potiguar que exerce duplo fascínio: suas inusitadas formas rochosas, repletas de fendas e reentrâncias com inscrições rupestres, sugerem segurança; o horizonte que se descortina do alto de suas serras, sugere aventura; de uma ponta a outra, esse é o horizonte do Rio Grande do Norte. O sol se derrete em carinho na pele dos visitantes, e a areia de tão fina, penetra nos dedos, fazendo as pessoas ficarem divinas e de coração leve.
No sertão, a mistura de vivência e inocência, traduz a alma do sertanejo. Sol, praia, areia, caatinga, e sal da terra, com gosto de beijo molhado.
O Rio Grande do Norte é assim: tudo é beleza, pureza e natureza!
Parte do Texto, extraída de documentários públicos e de registros existentes na INTERNET, e parte, introduzida na presente edição.
(Dilma Damasceno)
* Caicó, é a minha Cidade de Origem. ** Sagi, é a minha Praia Preferida. "UM PAÍS CHAMADO NORDESTE"NORDESTE: A REGIÃO QUE DEU ORIGEM AO BRASIL
I – FORMAÇÃO E REALIDADE
Área total: 1.561.177 km²
Formada pelos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe, a maior parte desta região está em um extenso planalto, antigo e aplainado pela erosão.
Em função das diferentes características físicas que apresenta, a região encontra-se dividida em sub-regiões: meio-norte, zona da mata, agreste e sertão.
Sub-regiões e Clima
O meio-norte compreende da faixa de transição entre o sertão semi-árido do Nordeste e a região amazônica. Apresenta clima úmido e vegetação exuberante, à medida que avança para o oeste.
A zona da mata estende-se do estado do Rio Grande do Norte ao sul da Bahia, numa faixa litorânea de até 200 km de largura. O clima é tropical úmido, com chuvas mais freqüentes no outono e inverno. O solo é fértil e a vegetação natural é a mata atlântica, já praticamente extinta e substituída por lavouras de cana-de-açúcar desde o início da colonização.
O agreste é a área de transição entre a zona da mata, região úmida e cheia de brejos, e o sertão semi-árido. Nessa sub-região, os terrenos mais férteis são ocupados por minifúndios, onde predominam as culturas de subsistência e a pecuária leiteira.
O sertão, uma extensa área de clima semi-árido, chega até o litoral, nos estados do Rio Grande do Norte e do Ceará. As atividades agrícolas sofrem grande limitação, pois os solos são rasos e pedregosos e as chuvas, escassas e mal distribuídas. A vegetação típica é a caatinga. O rio São Francisco é a única fonte de água perene.
Recursos Minerais
O Nordeste é rico em recursos minerais. Os destaques são o petróleo e o gás natural, produzidos na Bahia, em Sergipe e no Rio Grande do Norte. Na Bahia, o petróleo é explorado no litoral e na plataforma continental e processado na Pólo Petroquímico de Camaçari. O Rio Grande do Norte, responsável por 11% da produção nacional em 1997, é o segundo maior produtor de petróleo do país, atrás do Rio de Janeiro. Produz também 95% do sal marinho consumido no Brasil. Outro destaque é a produção de gesso em Pernambuco, que responde por 95% do total brasileiro. O Nordeste possui ainda jazidas de granito, pedras preciosas e semipreciosas.
Dados Sociais
Essa região é a mais pobre do país. 50,12% da população nordestina, tem renda familiar de meio salário mínimo. De acordo com levantamento do UNICEF divulgado em 1999, as 150 cidades com maior taxa de desnutrição do país estão no nordeste. Nelas, 33,66% das crianças menores de 5 anos, são desnutridas (mais de um terço).
Sua densidade demográfica é de 29,95 hab./km2 e a maior parte da população de concentra na zona urbana (60,6%).
Economia
Nos últimos cinco anos, a economia nordestina mostra-se mais dinâmica que a média do país. Uma das razões é o impulso da indústria e do setor de serviços.
A agricultura centraliza-se no cultivo de cana-de-açúcar, com Alagoas respondendo por metade da produção do Nordeste. Há alguns anos, teve início o desenvolvimento de lavouras de fruticultura para exportação na área do vale do São Francisco - onde há inclusive cultivo de uvas viníferas - e no Vale do Açu, a 200 km de Natal (RN). É no Rio Grande do Norte que são produzidos os melhores melões do país. A pecuária ainda sofre os efeitos da estiagem, mas o setor avícola desponta.
População e Transportes
As maiores cidades nordestinas são Salvador, Fortaleza, Recife, Natal, João Pessoa, Maceió, São Luís, Aracajú, Ilhéus, Itabuna, Teresina, Campina Grande, Feira de Santana e Olinda. As rodovias em geral são precárias. Há entretanto algumas boas e surpreendentes exceções. As principais vias de escoamento e transporte de carga rodoviária são efetuadas pela BR-116 e BR-101. Os aeroportos de Recife, Salvador e Fortaleza, são os principais destaques.
II - AS MUITAS PORTAS DO SOL
Derrama-se o Atlântico sobre uma região que, oficialmente, possui 9 estados, mas que, na prática, são 10. As portas para o Nordeste se abrem no Espírito Santo, estado que, entre suas riquezas naturais, culturais e gastronômicas, oferece a possibilidade de se observar, na Reserva Augusto Ruschi, a mais diversificada população de beija-flores do mundo.
BAHIA DE TODOS OS SANTOS
O Brasil nasceu no Nordeste, mais precisamente na Bahia, sede da primeira capital do País. Com seu litoral de 932 km, o estado é habitado por um povo sorridente, cuja alma é o retrato da formação cultural brasileira. Em sua capital, Salvador da Bahia, inicie seu itinerário no mirante localizado no Elevador Lacerda, que liga a cidade alta à cidade baixa. Descortine a Baía de Todos os Santos e, depois, desça no elevador, atravesse a avenida e dirija-se ao Mercado Modelo.
Garantem os iniciados nos mistérios do candomblé que todos os caminhos começam, e se encontram, nos mercados. Antes, portanto, de percorrer as ruas e os becos de Salvador, vá ao Mercado Modelo. Antes de entrar, saiba que, na cultura religiosa negra, os mercados são protegidos por Exu, o Senhor dos Caminhos.
Conta uma lenda que Yemanjá, a deusa do mar, é a mãe da maioria dos Orixás africanos. A este Orixá os baianos dedicam uma festa memorável no bairro do Rio Vermelho. Mergulhe nas salgadas águas da deusa entre a praia da Barra e a lagoa de Itapoã.
Não deixe de conhecer, na praia do Forte, o Projeto Tamar, de proteção às tartarugas marinhas, que já salvou 300 mil filhotes da espécie.
Visite o centro histórico da cidade, o Pelourinho, o maior conjunto arquitetônico barroco da América Latina, declarado Patrimônio Histórico da Humanidade pela Unesco. Antes de descer a ladeira, visite o museu Afro-brasileiro, no Terreiro de Jesus.
Contam os baianos que, na cidade, existem 365 igrejas, uma para cada dia do ano. Como, no Terreiro de Jesus, a imponente Catedral Basílica. Próximo a ela, está a Igreja de São Francisco de Assis, com arabescos em madeira banhada a ouro. A mais conhecida e popular Igreja da Bahia é a do Senhor do Bonfim, palco de uma festa de enormes proporções, a Lavagem do Bonfim, que acontece na segunda quinta-feira de janeiro.
Salvador abriga o mais diversificado conjunto de museus do Pais. No museu de Arte Sacra encontra-se a maior coleção de arte religiosa do Brasil. O museu Carlos Pinto possui um impressionante acervo de porcelanas e ourivesaria. Visite, também, o museu do Carmo, com seu conjunto de móveis e de peças em prata. Em frente a Salvador, do outro lado da baía, estende-se a ilha de Itaparica. A travessia, de 17 km, é feita por balsa. Em Itaparica existe um antigo candomblé de Egum, no local conhecido por Amoreiras, onde são cultuados os espíritos de uaJus importantes sacerdotes dos cultos afro. A ilha possui também, fortes e casarios coloniais do Século XVI.
EM SERGIPE, MUITAS ATRAÇÕES
A próxima parada pelos caminhos do sol é em Sergipe, onde se degusta saborosos caranguejos nos quiosques da praia de Atalaia Velha. O litoral do estado oferece atrações de primeira qualidade, como as praias de Aruana e Robalo, com dunas e coqueiros. A 15 km de Aracaju, em travessia feita por balsa, entregue-se à praia de Atalaia Nova, com mar calmo e poucas ondas.
Em Aracaju, enquanto saboreia doce de jenipapo, fruta típica do estado, visite o museu Rosa Faria, com exposição de pratos de porcelana e painéis em azulejos.
No interior, Sergipe oferece ao viajante, Cidades Históricas. São Cristóvão, a 26 km de Aracaju, transformada em Monumento Nacional, deve ser percorrida a pé. O viajante vai se encantar com as igrejas, museus e grandes sobrados.
Em Estância, a 59 km da capital, acontecem grandes festas juninas entre 10 de junho e 9 de julho. Já a 23 km de Aracaju, em Laranjeiras, participe de manifestações folclóricas invulgares: reisado, congada, cacumbi, chegança e taieira.
ALAGOAS, LUZ E BELEZA
Alagoas possui algumas das mais cativantes praias nordestinas. No litoral de Maceió, as praias de Ponta Verde e Pajuçara oferecem belezas naturais e agitação. O encantamento prossegue fora do perímetro urbano, na praia do Francês, com arrecifes que formam piscinas de águas tépidas. A 29 km de Maceió está a cidade colonial de Barra de São Miguel, sob medida para a prática do surfe.
No cais da Barra de Santo Antônio, embarque em direção à ilha da Crôa. A praia é quase deserta, com piscinas de corais. - Quando a fome apertar, procure uma das barraquinhas à beira-mar. Peça ostras, camarões e peixe.
Marechal Deodoro, a 31 km de Maceió, é um sítio histórico repleto de monumentos artísticos, como o Convento de São Francisco, e palco de eventos populares, como o coco de roda, a chegança e o pastoril.
RECIFE, DUAS CIDADES EM UMA
Cobiçada, na época colonial, pelos holandeses, que a dominaram e legaram à cidade, as heranças arquitetônicas dos fortes do Brum e das Cinco Pontas, Recife, capital de Pernambuco, fundada em 1537, mescla a memória do passado com o ritmo das grandes cidades. A 7 km do centro, está a histórica Olinda, declarada, pela Unesco, Patrimônio Cultural da Humanidade.
Desvende o Recife a partir do pátio de São Pedro, cercado por casario colonial e abençoado pela Igreja de São Pedro dos Clérigos, construída no Século XVIII em pedra de cantaria portuguesa, com portas barrocas em jacarandá. Depois, visite o bairro do Recife, com seus sobrados antigos.
Antes de cruzar uma das duas pontes que ligam o Recife antigo ao moderno, desembarque no passado, caminhe por ruas estreitas do Século XVII, envolva-se em um ambiente impregnado de tradições indígenas, lusitanas e holandesas em Igrejas como a do Santíssimo Sacramento, de Nossa Senhora do Carmo e da Madre de Deus.
Duas importantes casas de cultura devem ser conhecidas para se entender a alma do nordestino: os museus Francisco Brennand e o do Homem do Nordeste.
Entregue-se ao mar a partir da praia urbana de Boa Viagem. As águas são mornas e existe uma excelente infra-estrutura turística. Para quem deseja isolamento, a 35 km, no município do Cabo, as praias de Galhetas e de Gabu são ideais. Roteiro que chega ao clímax em Porto de Galinhas, com sua praia de águas límpidas, protegida por bancos de corais.
Quando, no Século XVII, os holandeses invadiram o Brasil por Pernambuco, construíram o Forte Orange para resistir aos portugueses. Conheça-o na ilha de Itamaracá, um jardim à beira-mar, a 49 km do Recife.
Preservada desde o Século XVI, a histórica cidade de Olinda é um local agitado para quem ama a noite e palco de um carnaval frenético, marcado pelo ritmo do frevo. Em suas íngremes ruas, respira-se história e beleza. Principalmente no interior de algumas Igrejas suntuosas, como o Convento de São Francisco e o Mosteiro de São Bento.
O SERTÃO
O interior do Nordeste emociona o viajante a 51 km de Caruaru, em Brejo da Madre de Deus. Na Semana Santa, é encenado um espetáculo de imensas proporções no teatro ao ar livre de Nova Jerusalém. Seguindo em frente, pela BR- 104, o destino seguinte é Campina Grande, na Paraíba, capital da música tipicamente nordestina - o forró - e onde acontece, em junho, a maior festa de São João do Brasil.
RUMO AO ORIENTE, NA PARAÍBA
Em João Pessoa, na Ponta do Seixas, localiza-se no cabo Branco, o ponto mais oriental da América do Sul. Na capital da Paraíba, que possui antigas igrejas, em matéria de praias, prefira a distante Tambaba, no município de Conde, com vegetação agreste, altas falésias e indicada para quem deseja isolamento.
AS DUNAS DO RIO GRANDE DO NORTE
As dunas são o espetáculo. Altas, banhadas de sol o ano inteiro. Entregue-se ao prazer de cavalgá-las em um bugre, no morro do Careca. Você está em Natal, no Rio Grande do Norte. No centro da cidade, a praia do Forte se oferece. Para os surfistas, o destino é a praia dos Artistas. A 36 km de Natal, Genipabu é um cenário de dunas. Entregue-se à sensação de, em um bugre, subir, descer e tornar subir, como em uma montanha-russa.
Um dos mais importantes museus do Nordeste está em Natal. É o Câmara Cascudo, com um excepcional acervo antropológico e folclórico.
CEARÁ, JANGADAS E RENDAS
Somente em 1649 os portugueses desembarcaram no Ceará para lutar contra os invasores franceses. Conheceram, então, algumas das mais encantadoras praias do mundo. Descubra o estado, a partir de sua capital, Fortaleza. O itinerário começa na Avenida Beira-Mar. As primeiras areias a serem tocadas devem ser as da praia de Iracema, onde o pôr-do-sol é a principal atração. Outra opção é a praia de Mucuripe, de onde se assiste ao espetáculo do retorno das jangadas à terra firme.
III – O CRESCIMENTO DO TURISMO
Na Região Nordeste, o grande número de cidades litorâneas com belas praias, contribui para o desenvolvimento do turismo.
Muitos estados investem na construção de parques aquáticos, complexos hoteleiros e pólos de ecoturismo. Esse crescimento, favorece a especulação imobiliária, que em muitos casos, ameaçam a preservação de importantes ecossistemas.
A cultura nordestina, é um atrativo à parte para o turista. Em cada estado, há danças e hábitos seculares preservados. As rendas de bilros e a cerâmica, são as formas mais tradicionais de artesanato da região.
As festas juninas em Caruaru (PE) e Campina Grande (PB), são as mais populares do país.
O nordeste é a região brasileira que abriga o maior número de Patrimônios Culturais da Humanidade, título concedido pela UNESCO. Alguns exemplos são a cidade de Olinda (PE), São Luís (MA) e o centro histórico do Pelourinho, em Salvador (BA).
Há ainda o Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí, um dos mais importantes sítios arqueológicos do país.
O carnaval continua sendo o evento que mais atrai turistas, especialmente para Salvador, Olinda e Recife. Cada uma dessas cidades chega a receber um milhão de turistas nessa época.
Outro grande destaque à nível nacional e mundial é Fernando de Noronha, com suas maravilhosas paisagens naturais e mar cristalino, local que abriga os golfinhos saltadores, conhecidos em todo o mundo.
Texto contemplando informações extraídas de documentários e de registros existentes na INTERNET. "DE REPENTE CANTORIA"O POETA E A NATUREZA
Os cantadores são amantes da natureza. Os detalhes de uma manhã de inverno, de um dia de sol, de um campo verde, de uma noite estrelada, de uma passarada em festa, tudo isso mantém-se em perene ebulição na mente e no sentimento do cantador. Vejamos como o poeta Onildo Barbosa pintou, de improviso, um desses belos quadros:
“Quando o dia vai embora A tarde é quem sente queixa; O portão da noite abre; A porta do dia fecha; A boca da noite engole Os restos que o dia deixa”.
Do grande menestrel popular José Gonçalves, (...), conseguimos coletar esta jóia raríssima de poesia sobre a natureza:
“Trina alegre a passarada, Muge o gado, o bode berra; As nuvens soltam granadas No manto verde da serra; O vento sacode as folhas No colo morno da terra”.
Os seres da natureza, a vida que se movimenta sem repouso no seu seio, o espetáculo da criação, o contraste das coisas são indagações que invadem o mundo íntimo do cantador. Que ele rumina e lança fora em forma de verso e de repente. Raimundo Caetano, um desses poetas mais recentes, nos dá uma prova disso, com uma sextilha primorosa:
“O que Deus faz é perfeito: No mar pôs mais de um cardume; No céu colocou estrelas; Nas rosas botou perfume E eletrizou a floresta Nos faróis do vagalume”.
Se os cantadores mais novos são exímios pintores de cromos da natureza, os mais antigos exibiam ainda maior sensibilidade. Para eles, o mundo era menor, tudo era mais romântico, mais ingênuo e mais puro. A própria natureza não era tão agredida. Eis como Domingos Fonseca falava dos seus sertões, no Piauí, na sua época:
“Nas terras do meu sertão, Quando vai caindo a tarde, Fica o espaço cinzento; A terra em chamas se arde; Não há quem de lá se ausente Que uma saudade não guarde”.
Mais uma vez Fonseca, cantando agora com Siqueira de Amorim, nos dá esta bela imagem do sertão ao cair da tarde:
“No sertão, à tardezinha, A saudade mais se aguça: A asa negra da noite Sobre o dia se debruça; Aos pés da Ave-maria, A nossa alma soluça”.
Há muito mérito em se escrever coisas belas. Agora, jorrar beleza pela bica do improviso é algo incomparável. É aí que está a genialidade do cantador de viola. Num desses festivais, em Fortaleza, o poeta Valdir Teles foi sorteado com o seguinte mote: “Tudo que há de beleza/ Deus colocou no sertão”. Teles improvisou:
“Não precisa de energia, Lá só basta o sol e a lua; Ele despido, ela nua; Um de noite, outro de dia. Na hora que a tarde esfria, Deus faz a transformação: O sol apaga o clarão, A lua desfila acesa, Tudo que há de beleza Deus colocou no sertão”.
Pedro Bandeira costuma dizer que há momentos de tanta inspiração em que o cantador parece que borbulha por dentro. “A gente não sabe se é a gente que canta ou se é um gênio que canta pela gente”. Conta que certa vez cantava com Manuel Chudu, quando a chuva começou a bater forte no telhado da casa. Chudu aproveitou a circunstância e fez uma estrofe finalizando: “A chuva bate na telha/ E o tempo dá gosto a gente”. Pedro aproveita a deixa e emenda:
“Ronca o trovão no nascente, Sopra o vento, a chuva bate; As nuvens da cor de chumbo; A terra cor de abacate; E o campo troca de terno Sem precisar de alfaiate”.
A natureza é a grande mãe. São Francisco chamava a terra de “Mãe Terra”. Tratava a natureza com uma veneração incomparável: “irmão Sol”, “irmã Lua”, “irmã Chuva” e assim por diante. A chuva então, para o Nordeste, é uma grande bênção, como mostra Geraldo Amâncio, cantando um mote que lhe pediram no programa “De Repente Cantoria”, da TV Jangadeiro: “Todo buraco tem água/ Todo quintal dá legume”. Ele improvisou:
“Quando chove no Nordeste, Há esperança e fartura; A terra, antes seca e dura, De babugem se reveste. Vão-se embora fome e peste, E a natureza é perfume! Chove na baixa e no cume; Correm grotas, vai-se a mágoa; Todo buraco tem água, Todo quintal dá legume”.
Cantando com Geraldo Amâncio na vila Alto do Moura, em Caruaru, Pernambuco, Sebastião Dias acompanha o colega que termina dizendo numa estrofe de sete linhas: “O sol se escondendo atrás/ Do torreão do levante”. Aí Dias completa a cena no mesmo sistema de sete:
“Das quatro e meia em diante Sinto de Deus o poder; Um sopro espatifa as nuvens Para o dia amanhecer; Deus enfeita o firmamento, E a vassoura do vento Varre o céu pro sol nascer!”
Que beleza desse outro cantador explicando as suas origens:
“Eu venho de um pé-de-serra, Sem grandeza, sem regalo, Onde o nosso caminhão Era o jegue ou o cavalo... E o relógio era o sol Ou a cantiga do galo!”
Raimundo Nonato cantando com Ismael Pereira, em São Paulo, pediram que eles cantassem este mote: “Se eu morrer e não for mais ao Nordeste/ Minha alma rejeita a salvação”. Nonato recorda esta estrofe:
“Eu não posso morrer sem o afã De rever minha terra nordestina, Onde a fonte me serve de piscina E onde a pedra me serve de divã. Mesmo tendo a miséria como irmã E apesar do castigo do verão, Eu não dou uma braça de sertão Por dez léguas de terra no Sudeste; Se eu morrer e não for mais ao Nordeste, Minha alma rejeita a salvação”.
O nordestino é isso aí. Emigra porque é o jeito, mas sempre pensando em voltar. Está sempre ligado intimamente à terra em que nasceu.
Texto extraído do Livro: De Repente Cantoria: “Uma Coletânea de Versos e Repentes dos Maiores Cantadores do Brasil”, de Geraldo Amâncio e Vanderley Pereira, editado em 1995. EM NOME DA AMIZADEAOS AMIGOS E VISITANTES DESTE ESPAÇO
Em matéria que editei nesta página, no dia 31 de maio próximo findo, reportei-me à existência de pessoas com URL na WEB, que conquistaram a minha admiração, quando apontei como sendo uma delas: “Carlos Ferreira”!
Hoje, desejo apontar outras pessoas especiais que admiro, e ao mesmo tempo, declarar o meu sincero agradecimento pelas visitas e pelos comentários atenciosos e estimulantes, que registraram no Espaço http://spaces.msn.com/dd-vivendo-e-aprendendo/
Participar do MSN SPACES, tem sido uma experiência verdadeiramente gratificante! Causa-me a impressão de haver adquirido casa nova, haver escolhido os móveis e utensílios necessários, haver organizado tudo, e finalmente, de estar desenvolvendo as atividades de funcionamento! E volto a agradecer ao amigo Carlos Ferreira, que além de haver me incentivado a criar esta página, generosamente colaborou na construção da mesma!
Tenho a confessar que muito me surpreendi com o número de Visitantes! Na minha forma de ver, para uma página construída em 22 de Abril do corrente exercício, com menos de 60 (sessenta) dias de existência, o registro de 1.243 visitas (até o presente momento), é bastante significativo!
Todavia, não posso ignorar o comportamento do quadro existente: muitas visitas e poucos comentários!... Como diagnosticar a ocorrência?!... - Um grande número de visitantes, por curiosidade em relação ao título?!... - Ou um pequeno número de comentários, por desinteresse da maioria dos visitantes, em relação ao conteúdo? Tenho consciência de que não é fácil agradar a gregos e troianos, e de que não podemos servir a dois Senhores ao mesmo tempo! Portanto, ou agradamos, ou desagradamos! De qualquer forma, seja o que for que esteja ocorrendo, só me cabe “agradecer”, haja vista que os comentários registrados deram impulso e brilho, ao “Vivendo e Aprendendo”! E como aprendi!
Por que estou fazendo este balanço?
Porque tenho motivos, que serão compreendidos, com a leitura final do texto!
Porque resolvi criar este Espaço:
1) Porque me sentia muito isolada, e achei que conhecendo outras pessoas, fazendo novas amizades, e me reciclando, passaria a me sentir melhor!
2) Porque sempre senti vontade de divulgar temas que considero importantes, especialmente, sobre cultura popular.
Posso afirmar que me senti melhor, sim!
Sempre gostei do pensamento: “Sábio é o homem que sabe ‘tudo’ de alguma coisa, e ‘alguma coisa’ de tudo. Estuda, como se fosse viver eternamente; e vive, como se fosse morrer amanhã.” (Autor Desconhecido)
Sobre minha forma de ser e de agir, tenho a registrar:
Jamais me senti verdadeiramente amada! Mesmo assim, alguns anos atrás, logo que fiquei sozinha, sofri muito! Para superar a tristeza, vez por outra, acessava a internet! Um dia, distraidamente, deparei-me com o site COMOVAI. Olhei alguns perfis, e embora continuasse distraída, entre inúmeros perfis, escolhi um, e enviei uma mensagem, objetivando iniciar uma amizade! Momentos depois, chegou uma resposta. Era alguém que, em companhia de amigos, havia saído de barco, do Rio de Janeiro, e se encontrava no meio do oceano, em direção às Olimpíadas de Atlântida. 6 (seis) amigos, vivendo uma verdadeira aventura! No dia seguinte, recebi outra mensagem, informando que uma tempestade se aproximava e poderia atingi-los! Logo depois, outra mensagem, informando que o mastro havia quebrado, e enfrentavam sérias dificuldades, mas tinham a esperança de receber socorro! Eu rezava por Eles e mandava mensagens de esperança! Em seguida, 3 (três) dias de silêncio. Foi então que recebi uma mensagem de um médico de uma Clínica da Inglaterra. O socorro havia chegado com bastante atraso e não houve como evitar o naufrágio; um dos tripulantes morreu logo após o resgate; e o Cidadão que estivera me escrevendo se encontrava internado e em estado grave! Continuei rezando por Ele. Alguns dias depois, ele retornou ao Brasil e passou por duras provações! Até hoje, me envia mensagens. Nunca nos vimos pessoalmente, e acho que jamais nos veremos. Mas existe entre nós uma ligação espiritual muito forte!... Nossas almas foram conectadas pela força de uma energia metafísica! O sentimento que nos liga é superior aos desejos da matéria. Estou falando de um ser humano maravilhoso, que me oferece uma rosa na palma da mão, e diz: “Você mulher... merece muito mais por sua doce ternura... Porém, esta simples rosa na palma de minha mão, diz muitas coisas pela voz dos poetas...”
Embora eu viva completamente sozinha no aspecto amoroso, posso garantir que a minha participação no ORKUT e no MSN SPACES, não guarda relação alguma com propósitos, que não sejam de pura amizade! Já não penso em envolvimento! Preencho minha solidão de várias formas: lendo, escrevendo, fantasiando, e me cercando de natureza. Converso com meus animais de estimação, converso com familiares e amigos, trabalho bastante, e assim, a vida vai passando, quase sem doer! Mas, como sou humana, às vezes me encolho num casulo. Então, penso, repenso, e quando ouso sair e voar, na "imaginação" realizo meus sonhos remanescentes, de forma plena e delirante! Prefiro continuar assim! Em verdade, já me acostumei com essa liberdade de ser só!
(Queiram desculpar-me!... Acho que andei divagando!)
Retornando ao assunto “espaço”, cumpre-me registrar que a maioria dos incentivos que recebi, foi de visitantes portugueses - pessoas cativantes - que, com ardor e consideração, valorizam o Brasil – a nossa gente, a nossa cultura, o nosso clima, as nossas belezas naturais!
O Amigo Carlos Ferreira, já apontado em data pretérita, registrou um expressivo número de comentários em minha página, demonstrando amizade, atenção, e solidariedade!... Não me canso de repetir que o espaço (http://spaces.msn.com/webintercam/), está cada vez melhor!... Misto de alegria, cultura e versatilidade! Como fã da sapiência, da criatividade, e da arte de Carlos Ferreira, gostaria muito de receber um autógrafo que desde o dia 09 (nove) do corrente mês, solicitei!... E até agora, nada!!! Das duas, uma: - ou não sou merecedora do autógrafo solicitado... - ou o tal autógrafo contraiu a limitação da solicitante em assuntos de informática, e está vindo a passo de tartaruga! Portanto, se a segunda hipótese for afirmativa, acione a Internet, Carlos Ferreira!!! E logo receberei o “dito cujo”! (Risos) Desculpe, amigo, senti vontade de brincar... foi isso! Você não precisa mandar autógrafo algum!...A sua amizade, e a amizade da sua cativante Rosa, já são o melhor autógrafo!
Alguns Visitantes, igualmente atenciosos e solidários - Irmãos de Pátria - me sensibilizaram com manifestações de estímulo e consideração. São essas demonstrações espontâneas e atenciosas, que fortalecem o espírito e a auto-estima dos seres humanos!
Agora, que abri o coração e a alma, que falei de coisas muito minhas (senti vontade de falar), quero dirigir-me aos Comandantes dos Espaços que seguem, no estilo que mais gosto de expressar-me, que é a linguagem coloquial. Em sendo assim, mãos à obra!
Elivan R. (http://spaces.msn.com/elispace32/) Suas visitas me deixaram gratificada e feliz! Se Você me permite, quero transcrever para esta coluna, um dos comentários que fiz quando visitava sua página:
‘Muito obrigada pela atenção, pela sensibilidade, e pelo destaque ao maravilhoso "Poeta do Absurdo"! Para enxergar a pureza doce e lírica dos versos de "Zé Limeira", "na essência", é preciso ter a alma iluminada! E logo percebi que Você é dotada de muita luz!... Tanta, que além de iluminar o seu interessante e agradável espaço, também ilumina os espaços que visita! Outros visitantes, também sábios e iluminados, muito me sensibilizaram, demonstrando solidariedade com os meus propósitos: "Carlos Ferreira", amigo bom e generoso (a quem vejo como Mestre e "Guru"), e "Cláudio Trindade", que muito me honrou com a visita e com a manifestação externada. Tenho pouco tempo no MSN SPACES, e confesso que estou "vivendo e aprendendo", como fazer para proporcionar satisfação aos amigos e leitores. Portanto, como aprendiz que sou, tudo farei para não decepcionar meus Visitantes! Palavra de Mulher Brasileira, Nordestina e Potiguar, que tem Coração Sertanejo e Alma Camponesa! Feliz com suas visitas e com sua intenção de retornar, deixo aqui o meu abraço afetuoso!’
Reiterando os pensamentos externados, desejo-lhe um arco-íris de sonhos inusitados e realizáveis, cuja luz brilhe em sintonia com a sua transparente luminosidade!
Cláudio Trindade (http://spaces.msn.com/alentejano2004/) Foi muito bom receber a sua visita e ler o comentário que você gentilmente proferiu no meu Espaço! O fato de Você ser “Alentejano”, amigo de Carlos Ferreira, e residir no meu País há tantos anos, fortaleceram a minha expectativa em visitar a sua Página, onde vislumbrava encontrar matérias interessantes, positivas, e agradáveis! E de fato, encontrei! Deparei-me com textos bem escritos, nos quais predomina uma linguagem fluente, precisa, inteligente, espontânea e atrativa! | |||